Projeto Tamar analisa estômagos de peixes na Praia do Forte e não detecta vestígios de óleo

Pesquisadores fizeram avaliações estomacais em 61 peixes, capturados em diferentes profundidades. Nenhum apresentou qualquer sinal de óleo

 Entre os dias 15 e 31 de outubro, pesquisadores do Projeto Tamar da Praia do Forte, em Mata de São João (BA), coletaram 61 peixes de 18 espécies para fazerem uma análise sobre presença de óleo nos estômagos dos animais. Em nenhum indivíduo, capturados por mergulhadores do Projeto e por pescadores, foram encontrados vestígio de resíduos de petróleo ou qualquer outra substância estranha.

O resultado das análises comprova que tanto a vida marinha, quanto as atividades de lazer e esportivas nas praias de Mata de São João ocorrem na sua mais absoluta normalidade, quase um mês depois que praias da região receberam as últimas placas significativas óleos. As amostras foram feitas com animais de diferentes níveis tróficos. Dos mais baixos, como sardinha, aos mais altos, como tubarões.

Não foram feitas análises químicas

Vale ressaltar que o Tamar não fez nenhum exame químico ou toxicológico nos organismos dos peixes. Apenas avaliações visuais, para assegurar que eles não continham substâncias estranhas em seus estômagos e não oferecem risco no consumo por seres humanos e por outros animais marinhos.

Os peixes analisados foram coletados em diversos pontos da região da Praia do Forte. No Portinho, nos recifes submersos (cerca de 20 metros de profundidade), no talude continental ou parede (cerca de 700 metros) e na região pelágica (mais de 1000 metros). Do talude são provenientes cerca de 90% dos peixes comercializados na Costa Baiana.

“Analisamos o conteúdo estomacal de uma mostra significativa dos peixes que trouxermos e dos que vierem no barco pesqueiro que nos fornece. Nos retivemos a olhar o conteúdo estomacal para ver a presença de óleo”, destaca o oceanógrafo e Coordenador Nacional do Projeto Tamar Guy Marcovaldi.

Marcovaldi explica que o intuito das análises foi para fins internos. Se deu pela preocupação com o consumo de peixe pelo restaurante e pelos animais dos aquários do Projeto. “Foi motivada também pela preocupação de muitos pescadores que nos procuraram. Eles diziam que não encontravam vestígio nenhum nos peixes que pescavam e comiam, mas que as pessoas estavam assustadas e as vendas estavam caindo”.

Não ver manchas no Oceano

Acostumado a mergulhar diariamente em áreas profundas da Costa de Mata de São João, Guy Marcovaldi conta que há cerca de um mês não ver mais nenhuma mancha de óleo no oceano. “Quando aconteceu aquele ‘boom’ de óleo chegando às praias, cheguei a ver uma mancha do tamanho do nosso barco. Mas faz tempo que, felizmente, não vejo absolutamente nada”, conta.

O oceanógrafo explica que o nascimento de filhotes de tartarugas que acontecem diariamente na região, nesta época do ano, também ocorre de forma natural e que não tem acontecido nenhuma ocorrência que impeça as tartaruguinhas de correrem das areias para o mar.

Atividades normalizadas

 As atividades turísticas nos 28 quilômetros de litoral de Mata de São João ocorrem de forma absolutamente normal, depois da maior crise ambiental que afetou nove estados do Nordeste Brasileiro. Após dias tensos de chegada de óleo em algumas localidades, entre os dias 10 e 15 deste outubro, a rotina está normalizada há mais de 20 dias.

De acordo com o Prefeito Marcelo Oliveira, as ocorrências mais significativas aconteceram em locais e em períodos específicos. Ele destaca também o esforço de todos para a retirada imediata dos resíduos que apareceram em maiores proporções, assim como as pequenas pelotas.No último final de semana a Praia do Forte foi palco do Circuito Open de Pólo Aquático, que reuniu mais de 200 atletas de todo o Brasil na Praia do Portinho. A realização da prova só se deu devido às condições de balneabilidade água, atestadas pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

Fonte: ASCOM Mata de São João


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