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PEC do Diploma reacende debate sobre qualidade da informação após FENAJ criticar uso de influenciadores na Copa do Mundo

Entidade alerta para a substituição de jornalistas por “influencers” em grandes coberturas e reforça que a valorização do diploma é essencial para combater o enfraquecimento da profissão e proteger o direito da população à informação de qualidade.

A Federação Nacional dos Jornalistas, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), junto aos seus 31 sindicatos filiados, manifestou preocupação após notícias de que influenciadores digitais deverão atuar como “repórteres” durante a cobertura da próxima Copa do Mundo de Futebol, prevista para começar em junho de 2026. O posicionamento foi divulgado oficialmente pela entidade em seu site e redes sociais no último dia 25 de maio.

Para a federação, o episódio representa mais um sinal do processo de enfraquecimento do jornalismo profissional no Brasil, marcado pela redução das equipes de reportagem, cortes de investimentos nas redações e substituição de jornalistas formados por personalidades voltadas ao entretenimento e ao engajamento nas redes sociais.

Segundo a entidade, o problema vai além da disputa por espaço no mercado. O alerta é sobre os impactos diretos na qualidade da informação recebida pela população. Em grandes eventos como a Copa do Mundo, milhões de brasileiros acompanham não apenas os jogos, mas também informações de bastidores, decisões esportivas, questões políticas, sociais e econômicas ligadas ao evento. Para a FENAJ, esse tipo de cobertura exige preparo técnico, responsabilidade ética e compromisso com a apuração dos fatos.

A discussão também reacende um debate antigo da categoria: a necessidade de valorização da formação acadêmica em Jornalismo. A entidade defende que o diploma não deve ser visto apenas como um requisito burocrático, mas como um instrumento importante para garantir profissionais capacitados a lidar com informação em um cenário cada vez mais dominado pela desinformação, pelas fake news e pela velocidade das redes sociais.

Nos últimos anos, situações semelhantes já vinham sendo observadas em outras grandes coberturas televisivas, como os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Em diversos casos, emissoras reduziram o número de repórteres profissionais e passaram a utilizar artistas e influenciadores digitais em funções tradicionalmente ocupadas por jornalistas.

Para sindicatos e associações da categoria, esse movimento contribui para a desvalorização da profissão, reduz oportunidades para profissionais qualificados e enfraquece a credibilidade da imprensa. A preocupação aumenta diante de um cenário em que o público, muitas vezes, passa a consumir conteúdos sem critérios jornalísticos claros, confundindo entretenimento com informação.

A FENAJ reforçou ainda o apoio à chamada PEC do Diploma, proposta que busca restabelecer a obrigatoriedade da formação superior em Jornalismo para o exercício da profissão no Brasil.

O que é a PEC do Diploma

A chamada PEC do Diploma reúne propostas como a PEC 206/2012 e a PEC 33/2009, que pretendem alterar a Constituição Federal para restabelecer a exigência do diploma de graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo para atuação profissional na área.

A obrigatoriedade do diploma deixou de existir em 2009, após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Na época, o entendimento da Corte foi de que a exigência poderia ferir o princípio da liberdade de expressão.

Desde então, entidades jornalísticas passaram a intensificar a mobilização em defesa da retomada da exigência da formação acadêmica, argumentando que a decisão contribuiu para o sucateamento da profissão e para a precarização das relações de trabalho no setor.

Nas redes sociais, a publicação da FENAJ sobre o tema gerou forte repercussão entre jornalistas e estudantes de comunicação, muitos relatando dificuldades enfrentadas pela categoria nos últimos 17 anos, como perda de espaço profissional, redução salarial e enfraquecimento da credibilidade da atividade jornalística.

A PEC já foi aprovada no Senado Federal e atualmente aguarda votação na Câmara dos Deputados. Para defensores da proposta, a medida representa não apenas uma valorização da profissão, mas também uma forma de fortalecer a democracia por meio da defesa do jornalismo ético, técnico e comprometido com a verdade dos fatos.