O Brasil se divide entre os que são a favor e contra Jair Bolsonaro

As eleições de 2018 potencializam o embate histórico entre conservadores e progressistas no Brasil. O candidato Bolsonaro se destaca, tanto positiva como negativamente, entre os eleitores, e gera discussões em todo o país

Após sofrer um ataque a faca, Jair Bolsonaro, precisou ficar internado durante vinte e três dias. Ele recebeu alta, às dez horas do último dia 29, e precisou passar por duas cirurgias. Ao final da tarde, deste mesmo dia, o presidenciável conseguiu chegar em sua residência, tendo sido recebido com aplausos e vaias durante o percurso, e permanece estável.

Todavia, o cenário político entre os eleitores, se encontra completamente polarizado, gerando grandes mobilizações populares, que se contrapõem. Se antes discutia-se sobre os posicionamentos políticos de direita e esquerda, hoje, o cerne dos debates se concentra no fato de ser contra ou a favor do candidato à Presidência pelo Partido Social Liberal (PSL): Bolsonaro.

O candidato em questão, costuma estar no centro de diversas polêmicas, entre elas: a sua visão diferenciada sobre o que significou a Ditadura Militar de 1964; sua proposta armamentista; seu posicionamento árduo contra os movimentos sociais; sua forma, questionável, de se referir às mulheres e negros e LGBT’s; sua aversão ao Partido dos Trabalhadores; entre outras.

A partir das redes sociais, muitos grupos (nordestinos, mulheres, LGBT’s…), têm se estruturado para se opor aos ideais de Jair Bolsonaro, incitando o discurso de agrupamento dos votos daqueles que não são favoráveis, para assim, eleger outro candidato à Presidência da República. Do outro lado, as pessoas que o apoiam também têm se organizado para contrariar as polémicas que o cercam, e justificar suas ações, na tentativa de alcançar novos eleitores.

Em pesquisas recentes do IBOPE, publicadas no dia 3 de outubro, Bolsonaro permanece à frente das intenções de voto, agora com 32%. Em contrapartida, também lidera a taxa de rejeição, com 42%; cinco pontos percentuais à frente do segundo colocado, Fernando Haddad, com 37% no índice de rejeição.

Nas novas simulações para um possível segundo turno, o militar da reserva, se encontra empatado tecnicamente com outros dois candidatos (Geraldo Alckmin e Fernando Haddad), ganha de Marina Silva, e perde para Ciro Gomes, com o placar de 46% (Ciro) contra 39% (Bolsonaro) – com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

Em seu primeiro pronunciamento, após os procedimentos cirúrgicos, através de uma transmissão ao vivo em sua rede social, o candidato discorreu sobre sua insegurança com os resultados finais da eleição, temendo que houvesse fraudes na contabilização dos votos, com intuito de prejudicá-lo.

Se mostrando deveras comovido, o candidato também usou o momento para agradecer aos seus eleitores, sua família, a deus e à equipe médica, pelo cuidado. Também reforçou ao povo, sua incansável luta contra o comunismo, e a esperança de um futuro sem os ideais de esquerda. “O que está em jogo no momento, é o futuro de todos vocês, até de quem apoia o PT, vocês também são seres humanos”. Sinalizou emocionado.

Desde o crime que o levou a ficar internado, Bolsonaro cresceu 10% nas intenções de voto, e tem massificado sua campanha em âmbito virtual. Nesse mesmo período, a taxa de pessoas que pretendiam votar em branco ou nulo caiu de 21% para 11%. Os números indicam que o ocorrido pode ter influenciado na escolha dos que ainda estavam indecisos, por se condoer com o caso.

Outra possível causa para a conversão de votos à Jair Bolsonaro, é a forte rejeição contra o PT, que trouxe em suas gestões diversos casos de corrupção. Em um país, majoritariamente cristão, as ideias e atitudes dos líderes e aliados do Partido dos Trabalhadores, também não causam uma boa reputação, fugindo do que se têm como moral e bons costumes; como o fato de contrariar leis bíblicas.

As pessoas pedem para experimentar o novo, alguém que consiga manobrar a corrupção e resolver, de forma eficiente, os problemas que assolam o país em diferentes áreas. Isso leva alguns eleitores a exaltar seus candidatos, como única figura possível de resolução, assim, a dicotomia de pensamentos e ideologias se torna cada vez mais acirrada, chegando a gerar violências.

Com isso, os demais candidatos têm se colocado no centro da disputa, atacando os dois lados extremistas, e se promovendo como uma solução eficaz e pacífica. Ainda assim, o problema só intensifica, a poucos dias das eleições, as manifestações têm se espalhados em ambos os lados.

No dia 29 de setembro, inúmeras pessoas lotaram as ruas, em cento e quatorze cidades brasileiras, em campanha organizada por grupos de mulheres, contra Bolsonaro, tendo como lema “ele não”; alegando o conteúdo fascista e elitista nos discursos do candidato. A campanha também reverberou em outras partes do mundo, como em diversos países da Europa e nos Estados Unidos, e foi aderida por grandes celebridades (nacionais e internacionais).

Em resposta, no dia posterior, o grupo a favor do candidato, saiu em passeatas e carreatas para defender e apoiar o presidenciável. O evento também reuniu milhares de pessoas, e ocorreu em diversos municípios do Brasil, inclusive, em Catu. Com o discurso de defesa da família tradicional e contra a corrupção.

Este cenário revela o desgaste do povo brasileiro com a velha política; novas medidas são necessárias para que o país volte a avançar. Entretanto, precisa-se levar em consideração a democracia e a vida, observando quais propostas são, de fato, benéficas para a totalidade dos eleitores. Votar é passar para o outro a responsabilidade de representar os interesses da sociedade, não cabendo espaço para o individualismo.

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