Cara ou Coroa; Coronavac

Aprovada com ressalvas e devido ao fato de já contar com doses prontas no Brasil, a Coronavac é uma incógnita cientifica. A vacina, que será ministra em idosos, foi testada em apenas dois voluntários da terceira idade e não entregou todos os resultados para avaliação pela Anvisa, estando sua aprovação para uso emergencial sujeita a apresentação de comprovação de eficácia imunogênica .

Aprovada com ressalvas e devido ao fato de já contar com doses prontas no Brasil, a Coronavac é uma incógnita cientifica. A vacina, que será ministra em idosos, foi testada em apenas dois voluntários da terceira idade e não entregou todos os resultados para avaliação pela Anvisa, estando sua aprovação para uso emergencial sujeita a apresentação de comprovação de eficácia imunogênica.

Depois de uma batalha pela primogenitura da vacina no Brasil, a aprovação da Anvisa para registro emergencial e provisório para as vacinas da SinoVac, produzida em parceria com o Butantan, e para a AstraZeneca – Oxford, deveria tranquilizar os brasileiros que se digladiaram nas redes sociais em defesa de seus pontos de vistas ideológicos e pessoais. Entretanto, os fatos presentes na documentação parcialmente entregue pela SinoVac são desanimadores e, em muito, explicam os motivos que levaram países mundo a fora a abrir mão do imunizante chinês.


Durante a Sessão Extraordinária do Conselho da Anvisa, realizada no dia 17 de janeiro, embora as vacinas tenham sido aprovadas por unanimidade, é patente que a CoronaVac não foi glosada apenas por já possuir doses em território nacional. Ou seja, na ausência das doses da Oxford, presa no emaranhado burocrático da Índia, a solução foi liberar, ainda que sem todos os documentos e análises necessárias, a CoronaVac. Isso fica provado na declaração de voto de Leonardo Filho, Estatístico da Anvisa, que afirmou que a Coronavac tem eficácia aproximada de 50,4%. Já a vacina da Universidade Oxford apresenta números mais expressivos, tem 70,42% de eficácia. A área técnica da Anvisa respaldou a aprovação do uso emergencial das duas vacinas sob a condição de “monitoramento das incertezas e reavaliação periódica”.

Como se isso não fosse suficiente para desmontar qualquer discurso celebrativo, em um universo de 6 mil voluntários na faixa de 59 anos ou mais, que se submeteram aos testes com a CoronaVac, 2 indivíduos, na faixa de 60 anos ou mais, manifestaram contágio e, para os que receberam Placebo, 3 indivíduos, da mesma faixa, restaram contaminados. Ou seja, em linha geral, a proteção foi nula, tendo em vista que o placebo obteve resultados praticamente similar aos que receberam imunizantes e se contaminaram. Os mesmos resultados percentuais se repetem nas demais faixas etárias, como se percebe na Tabela 4 – Eficácia Vacinal em profissionais de saúde.
Além do mais, em complemento a essa informação sobre a proximidade entre os valores obtidos em testes com placebo e com imunizante, não foram apresentados resultados sobre a capacidade de a vacina provocar uma resposta imune, como o desenvolvimento de anticorpos anti-medicamentos biológicos pelo sistema imune do paciente. Ou seja, mesmo dentro do universo avaliado, não se sabe ao certo se os resultados de imunização foram proporcionados pelo acréscimo da carga vacinal ou da resposta normal do organismo. Sobre a “validade” da imunização e presença de anticorpos no organismo humano, a Universidade Rockefeller apresentou ampla pesquisa sobre o tema após analisar pacientes, em diversas faixas etárias, que tiveram caso de Covid-19 em suas variadas manifestações.


Assim, não existem dados estáticos suficientes para se afirmar que a Coronavac é suficiente para imunizar pessoas na terceira idade e, o que ´pior, que não existem efeitos colaterais relevantes que possam impactar essa parcela da população.
Pesa ainda contra a confiabilidade da CoronaVac, a fala da Relatora Meiruze Freitas que declarou que, “quanto à vacina Coronavac, desenvolvida pelo instituto Butantan, voto pela aprovação temporária do seu uso emergencial condicionada a termo de compromisso e subsequente publicação de seu extrato no DOU”. O Termo ao qual a Relatora se refere trata da apresentação de documentos relativos aos resultados de imunogênica, ausentes da documentação até aqui apresentada. São informações que pormenorizam a eficácia e a taxa de anticorpos nos voluntários dos testes.

Quanto à vacina solicitada pela Fiocruz, voto da Relatora foi pela aprovação temporária de seu uso emergencial para 2 milhões de doses e não houve ressalva, deixando claro que o fabricante apresentou toda documentação exigida pela RDC n 444 de 10 de dezembro de 2020.

Segurança VS Necessidade

Emparedada pela crescente dos casos de Covid-19 em todo país, a Anvisa viu-se obrigada a aprovar vacinas que, mesmo sem apresentar estudos que garantam sua eficácia, representam um alento para a população. Entretanto, mesmo vacinados, os primeiros brasileiros que receberem as doses seguirão usando as medidas paliativas sugeridas pelo Ministério da Saúde. Logo, diferente de outras campanhas de vacinação, a que terá início no próximo dia 20 de janeiro não trará consequências imediatas nos hábitos sanitários em voga.
Com um percentual de eficácia mais alto, cerca de 70%, e com documentação mais abrangente dos estudos preliminares, a vacina da AstraZeneca tem previsão entrega para o final do mês de janeiro. Além de mais eficaz, a vacina Oxford também custa menos e exige apenas meia dose para proporcionar elevação dos índices de anticorpos. Ao contrário da Coronavac, utilizada apenas em quatros outros países além do Brasil (Chile, Indonésia, Turquia e China, apenas para funcionários públicos), a vacina da AstraZeneca – Oxford tem sido aplicadas em países com maior padrão de exigências, como é o caso do Reino Unido.

Jorge Andrade, jornalista e radialista, mestrando atuante em Catu e todo agreste baiano.

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