Tudo azul no dia Mundial de Conscientização do Autismo

Para conscientizar a população sobre o que é o Autismo, que afeta cerca de 70 milhões de pessoas em todo o mundo e 500 crianças em Catu, uma mãe catuense traz sua experiência de como encarou o autismo do filho Davi, e buscou a ajuda médica para auxiliá-lo a evoluir diante do diagnóstico incurável

Está tudo azul  nesse dia 2 de abril para cerca de 70 milhões de pessoas no mundo e 2 milhões no Brasil, sendo cerca de 500 famílias com um autista no seio familiar em Catu-Ba, a data que é celebrada o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Criada em 2007, pela Organização das Nações Unidas (ONU), para informar a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica.

No Brasil, o Dia Mundial do Autismo é celebrado com palestras e eventos públicos que acontecem por várias cidades brasileiras. O objetivo é o mesmo em todo o lugar, ajudar a conscientizar e informar as pessoas sobre o que é o Autismo e como lidar com a doença.


NadJa Lima dos Santos e o filho
Davi Luiz Lima Vieira

Nadja Lima dos Santos viveu e vive essa experiência, com uma gravidez complicada, do filho Davi Luiz Lima Vieira, que atualmente tem 4 anos de idade nasceu de 29 semanas, prematuro. Como todo processo de desenvolvimento, a mãe de Davi veio notando alguns comportamentos na formação da criança que para ela era diferente; e aos 4 anos de idade, o menino foi diagnosticado autista de grau leve.

Davi, ia fazer 3 anos de idade quando a mãe Nadja, começou a perceber alguns comportamentos diferentes que o filho apresentava, entre esses comportamentos, estava a dificuldade na fala ;“ Davi quase não falava, só dizia ‘ mamãe, mamãe ‘ mas não completava a frase e eu ficava me interrogando ‘ Porque Davi me chama e não consegue dizer o que ele quer’ a forma que ele brincava também me chamou bastante atenção, ele não aguenta ver uma roda, ele pegava os brinquedos , os carrinhos , e sempre virava para cima para rodar ao invés de colocar o carro para andar”. Conta.

Após vários indícios comportamentais diferenciados de Davi, como resistência a barulhos e a crianças, dificuldade em se socializar, não conversar, não gostar de lugares barulhentos e muito movimentado; a mãe procurou profissionais na área, indo ao neurologista após a segunda consulta, recebeu o diagnóstico do filho, sendo autista de grau leve “psicologicamente eu já estava mais preparada, pois eu convivia com ele a todo tempo, eu já estava me preparando, eu pesquisava o que poderia ser; ao receber o diagnostico do meu filho, só pedir forças a Deus, aceitei e procurei a melhora para ele”. Relata Nadja.

Com os acompanhamentos necessários, apoio da família, o amor e cuidado da mãe Nadja, Davi foi se desenvolvendo e chegando a melhorar 90% nos seus  distúrbios comportamentais, conta a Nádia Lima. “Hoje Davi estuda, interage com os colegas e professores, aperta a mão, brinca, coisa que ele não fazia, antes, quando ele chegava ao colégio ele desabava, hoje ele já fica dentro da sala, graças a Deus hoje ele já se encontra bem melhor, tanto na escola, como em casa”.

Emocionada, a mãe de Davi deixou uma mensagem para as mães que tem os seus filhos autistas e não sabem lidar com a situação:  “Deus Ele nunca dá algo que não possamos carregar, se Deus escolheu a mim como outras várias mães de autistas, é porque Ele sabe que temos a capacidade de cuidar, se ficarmos olhando para as dificuldades não iremos conseguir obter êxito nem na nossa vida, nem na vida dos nossos filhos; é muito difícil realmente, mas  é possível vivemos, ter uma vida social, uma vida boa e ser feliz, porque essas crianças são um amor. O que me deixa mais emocionada é a ingenuidade dele, o amor que eles tem, são verdadeiros anjos na nossa vida”. Enfatiza.


Psicóloga Clínica e Hospitalar, Raquel dos Anjos Teixeira, do Hospital Agnus Dei (HAD)

Segundo a Psicóloga Clínica e Hospitalar, Raquel dos Anjos Teixeira, do HAD, Hospital Agnus Dei, localizado no centro comercial em Catu-Ba, “o autismo é um transtorno global do desenvolvimento; tratamos o autismo a caso a caso, porque é um ser único e subjetivo. Uma criança, um adolescente com autismo, ele tem que ser tratado psicologicamente com terapia psicodinâmica. Eu gosto muito de tratar os meus pacientes com esse transtorno no psicodrama, ou seja, na arte, elaborando o centro das coisas”.

Embora muito se tenha avançado, as causas do TEA (Transtorno do Espectro Autista), ainda é um grande mistério para a medicina. Não se sabe, por exemplo, por que o autismo é de três a quatro vezes mais frequente em meninos do que em meninas. O que sé sabido, é que o espectro é um transtorno complexo, alguns portadores também têm epilepsia, outros, QI alto, enquanto outros tantos podem apresentar QI baixo, com diferentes genes envolvidos em cada caso.

Segundo a psicóloga Raquel Teixeira, “a psicologia entra para ajudar o desenvolvimento do indivíduo, junto com outros profissionais; muitas vezes os sintomas são mínimos, não existe um exame que seja feito que traga um diagnóstico de autismo, existe sim comportamentos e sintomas na socialização desse paciente, para conseguirmos diagnosticar e uma série de avaliações para se chegar a uma conclusão final sobre a presença no caso do espectro do autismo. Vale ressaltar que o autismo não tem cura, e não é contagioso porque não é doença”, destaca.

O que é o Autismo?

O Autismo pertence a um grupo de doenças do desenvolvimento cerebral, conhecido por “Transtornos de Espectro Autista” – TEA.

Os sintomas do autismo são: fobias, agressividade, dificuldades de aprendizagem, dificuldades de relacionamento, por exemplo. No entanto, vale ressaltar que o autismo é único para cada pessoa. Existem vários níveis diferentes de autismo, até mesmo pessoas que apresentam o transtorno, mas sem nenhum tipo de atraso mental.

O tratamento é feito por meio de terapia. Os reconhecimentos precoces, assim como as terapias comportamentais, educacionais e familiares podem reduzir os sintomas, além de oferecer um pilar de apoio ao desenvolvimento e à aprendizagem. Os tratamentos mais constantes são: Controle da raiva, Terapia familiar, Análise do comportamento aplicada, Terapia comportamental, processamento sensorial, terapia assistida por animais e teleprática.

Nos casos de grau mais elevado a necessidade de utilizar medicamento como antipsicótico.

Ao observa comportamentos que podem se encaixarem nesse tipo de transtorno, os responsáveis pelo individuo deve procurar os seguintes profissionais: fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo clínico, neurologista, psiquiatra e pediatra.

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