Política

PL sinaliza apoio ao fim da escala 6×1 em meio à pressão popular e impasse na Câmara

Pedido de vista adia votação da PEC que reduz jornada semanal para 40 horas e amplia debate entre trabalhadores, governo e setor empresarial.

O debate sobre o fim da escala 6×1 ganhou novos capítulos nesta semana na Câmara dos Deputados após o líder do Partido Liberal (PL), deputado Sóstenes Cavalcante, afirmar nesta terça-feira (26) que a legenda deverá votar favoravelmente à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê a redução da jornada semanal de trabalho e a adoção da escala 5×2 em todo o país.

A declaração acontece em meio ao adiamento da votação do relatório apresentado pelo deputado Leo Prates na comissão especial da Câmara que discute o tema. A análise do texto foi suspensa após o deputado Mauricio Marcon apresentar um pedido de vista logo após a leitura do parecer, estratégia que adia temporariamente a decisão e empurra a votação para esta quarta-feira.

O relatório construído por Leo Prates é fruto de articulações entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta. A proposta estabelece uma redução gradual da jornada semanal das atuais 44 horas para 42 horas em até 60 dias após a promulgação da PEC, além da implantação da escala 5×2, garantindo duas folgas obrigatórias por semana aos trabalhadores.

A discussão em torno da proposta vem mobilizando trabalhadores de diferentes setores, sindicatos e entidades empresariais em todo o país. Defensores da mudança argumentam que o atual modelo da escala 6×1 provoca desgaste físico e mental, reduz o convívio familiar e compromete a qualidade de vida dos trabalhadores brasileiros.

Por outro lado, representantes do setor empresarial demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos, especialmente no comércio, na indústria e em setores que dependem de funcionamento contínuo. Empresários defendem que uma eventual redução da jornada precisaria vir acompanhada de medidas compensatórias para evitar aumento de custos e impactos na geração de empregos.

A posição anunciada pelo PL também é vista nos bastidores políticos como um movimento estratégico em ano eleitoral. Pesquisas recentes apontam forte apoio popular ao fim da escala 6×1, tornando politicamente delicado para partidos votarem abertamente contra a proposta. Ao mesmo tempo, setores conservadores ligados ao empresariado seguem pressionando contra mudanças consideradas prejudiciais à produtividade e à competitividade econômica.

Nesse cenário, o pedido de vista apresentado por Mauricio Marcon é interpretado como uma manobra para ganhar tempo e evitar um posicionamento definitivo imediato da bancada, enquanto o partido avalia os impactos políticos e econômicos da votação.

Caso avance no Congresso, a PEC poderá representar uma das maiores mudanças nas relações trabalhistas brasileiras desde a reforma trabalhista de 2017, reacendendo o debate nacional sobre equilíbrio entre produtividade, direitos trabalhistas e qualidade de vida.