Juliano Cazarré gera polêmica ao defender masculinidade em debate na GloboNews
Declarações do ator sobre comportamento masculino e violência repercutem nas redes e dividem opiniões entre internautas
O ator Juliano Cazarré voltou ao centro de uma intensa discussão nas redes sociais após participar de um debate exibido pela GloboNews sobre masculinidade, comportamento masculino e o papel do homem na sociedade contemporânea. Durante a conversa, o artista fez declarações que rapidamente viralizaram e provocaram reações divergentes entre apoiadores e críticos.
O debate contou também com a participação da psicanalista Vera Iaconelli e do jornalista Ismael dos Anjos. Em determinado momento, Cazarré saiu em defesa de um evento voltado ao público masculino do qual participa, afirmando que a proposta não possui relação com movimentos extremistas ligados ao universo “redpill” ou discursos de incentivo à violência contra mulheres.
Segundo o ator, o objetivo do projeto é discutir a masculinidade de maneira equilibrada, valorizando características consideradas masculinas sem abrir mão da sensibilidade emocional. Durante a fala, uma das frases que mais repercutiu foi:
“Não vou usar cropped, mas escuto as mulheres. Estou reafirmando a minha masculinidade.”
Na sequência, Cazarré afirmou que se considera um homem sensível, dizendo que fala sobre sentimentos, cuida das filhas e busca manter equilíbrio emocional dentro da vida familiar. As declarações, no entanto, acabaram sendo interpretadas por parte do público como uma crítica indireta às novas construções sociais relacionadas à masculinidade e expressão de gênero.
O momento de maior repercussão ocorreu quando o ator comentou sobre os índices de violência no Brasil. Ao tentar contextualizar o cenário de violência urbana, ele afirmou que o país seria violento “contra todos” e declarou, sem apresentar fonte oficial dos dados:
“O Brasil é um país violento contra homens, contra negros, contra brancos, contra crianças, contra idosos. Mata muito homem, inclusive mais mulheres mataram homens do que homens mataram mulheres.”
A fala imediatamente gerou contestação nas redes sociais e entre especialistas, principalmente por não citar pesquisas ou estatísticas que comprovassem a afirmação. Internautas passaram a questionar a veracidade dos números mencionados pelo ator, especialmente diante dos dados oficiais sobre feminicídio e violência doméstica no país.
Levantamentos de órgãos de segurança pública e institutos de pesquisa apontam que os homens são, de fato, maioria entre as vítimas de homicídios no Brasil, especialmente jovens negros moradores de periferias. Porém, especialistas destacam que os casos de feminicídio possuem características específicas relacionadas à violência de gênero, geralmente ocorrendo dentro do ambiente doméstico ou em relações afetivas.
Nos últimos anos, o debate sobre masculinidade tem ganhado espaço em programas de televisão, universidades, movimentos sociais e ambientes religiosos, discutindo temas como saúde emocional masculina, paternidade, responsabilidade afetiva e combate à violência contra mulheres.
Conhecido por suas posições conservadoras e manifestações públicas sobre religião e família, Juliano Cazarré frequentemente se torna assunto nas redes por opiniões relacionadas a comportamento, fé e valores sociais. O ator já participou de novelas de grande sucesso da TV Globo, consolidando uma carreira de destaque na dramaturgia brasileira.
A repercussão do episódio reacende uma discussão cada vez mais presente na sociedade brasileira: até onde vai a defesa da masculinidade tradicional e em que ponto determinados discursos podem ser interpretados como resistência às transformações sociais envolvendo gênero, comportamento e direitos das mulheres.

