Investigadora pode fazer história no SINDPOC e se tornar primeira mulher a presidir entidade
Ana Carla Souza disputa a presidência do sindicato e, caso seja eleita, será a primeira mulher a comandar a entidade em 36 anos de história.

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As eleições do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (SINDPOC) aconteceram nos dias 11, 12 e 13 de agosto, envolvendo policiais civis ativos e aposentados. O processo eleitoral está sendo marcado pela disputa entre três chapas, mobilização da categoria e questionamentos relacionados à condução do pleito e o resultado deve se tornar público neste sábado, 15 de agosto, já que após algumas discordâncias o processo de apuração está acontecendo sem intercorrências nesse momento.

Investigadora da Polícia Civil da Bahia, Ana Carla Souza, candidata à presidência pela Chapa 2 – Luta e Transparência, pode fazer história ao se tornar a primeira mulher a ocupar a presidência do SINDPOC em 36 anos de existência da entidade.
Mais do que uma mudança na direção sindical, uma eventual eleição de Ana Carla colocaria em evidência uma discussão que ultrapassa os limites da categoria: a presença ainda reduzida das mulheres nos espaços de poder e decisão.
Mulheres são maioria na população, mas ainda ocupam menos espaços de poder
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o Censo 2022 do IBGE, as mulheres representam 51,5% da população brasileira, o equivalente a cerca de 104,5 milhões de pessoas — aproximadamente seis milhões a mais do que os homens.
Quando o assunto é representação, entretanto, essa maioria numérica não se traduz na mesma proporção em cargos de liderança.
Na política, a distância permanece evidente. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), referentes às eleições de 2024, mostram que as mulheres eram 52,47% do eleitorado brasileiro, mas representaram apenas 15,28% dos prefeitos eleitos. Entre os vereadores, a participação feminina chegou a 35,40%, ainda distante de uma representação proporcional à presença das mulheres na sociedade.
É nesse contexto que a disputa pelo comando do SINDPOC ganha uma dimensão particular. Historicamente, cargos de liderança e representação — sejam eles políticos, institucionais, empresariais ou sindicais — foram ocupados majoritariamente por homens. A possibilidade de uma mulher assumir, pela primeira vez, a presidência da entidade rompe uma barreira simbólica e amplia o espaço feminino em uma estrutura de representação de uma categoria tradicionalmente associada à presença masculina.
Ana Carla já integra a direção do sindicato como vice-presidente e, caso seja eleita, sua chegada à presidência representará uma mudança inédita na trajetória do SINDPOC.
A presença feminina também vem crescendo dentro da própria Polícia Civil. Em 2024, entre os 712 novos policiais civis formados na Bahia, 43% eram mulheres, segundo informações divulgadas pelo SINDPOC.
Três chapas disputam o comando do sindicato



A eleição reúne três chapas com propostas distintas para a condução do SINDPOC. A Chapa 1 – Diálogo, União e Luta é encabeçada pelo IPC Eustácio Lopes, que busca o terceiro mandato consecutivo à frente da entidade. A candidatura representa a continuidade da atual gestão e defende a manutenção da linha de atuação adotada pelo sindicato.
Já a Chapa 2 – Luta e Transparência, liderada pela investigadora Ana Carla Souza, apresenta entre suas propostas a valorização profissional, transparência na gestão, democracia sindical, respeito aos policiais ativos e aposentados e ampliação da presença do sindicato no interior da Bahia.
A Chapa 3 – Frente por Valorização Salarial e Profissional tem como candidato à presidência o IPC Chico Deniara e como candidata à vice-presidência a IPC Lícia. A chapa se apresenta como uma alternativa com foco na valorização salarial e profissional da categoria, além da melhoria das condições de trabalho dos policiais civis.
A composição das três candidaturas coloca em disputa diferentes perspectivas sobre os rumos da entidade, permitindo que os policiais sindicalizados escolham entre a continuidade da atual gestão e propostas de mudança com diferentes prioridades.

Eleição é marcada por questionamentos e disputa judicial
Além das propostas apresentadas pelas candidaturas, o processo eleitoral também vem sendo acompanhado por questionamentos e controvérsias envolvendo as chapas concorrentes. Entre os pontos levantados estão a condução das eleições, prazos, atuação da Comissão Eleitoral, relação de filiados aptos a votar, organização e fiscalização das urnas, além de questões que chegaram a ser discutidas judicialmente.
Diante desse cenário, a Chapa 2 afirma que pretende exercer o papel de fiscalização durante o processo, registrar eventuais irregularidades e defender o direito dos filiados à participação no pleito e ao respeito ao voto.
Independentemente do resultado, a eleição coloca em evidência uma questão que ultrapassa a disputa sindical: a participação das mulheres nos espaços de poder e representação.
Em um país no qual elas são maioria na população e também entre os eleitores, a eventual chegada de uma mulher ao comando de uma entidade sindical com 36 anos de história poderá representar um marco para a representatividade feminina dentro dos espaços de decisão.

