Feminicídio no Brasil: machismo estrutural que mata quatro mulheres por dia
Violência de gênero segue em patamares alarmantes e revela machismo latente na sociedade, apesar de políticas públicas.
O Brasil enfrenta uma crise persistente de violência de gênero em que mulheres são assassinadas simplesmente por serem mulheres. O fenômeno do feminicídio — homicídio motivado pela condição de gênero e frequentemente ligado à violência doméstica, controle e misoginia — continua em níveis preocupantes, refletindo um machismo estrutural ainda arraigado na sociedade brasileira.
Os dados mais recentes disponíveis mostram que milhares de mulheres perderam suas vidas vítimas desse crime. Em 2024, foram registrados aproximadamente 1.459 casos de feminicídio no país, o que equivale a uma média de quatro mulheres assassinadas por dia por razão de gênero. Esse número representou um leve aumento em relação a 2023 e faz parte de uma tendência de crescimento gradual nas últimas décadas, pois segundo. De janeiro a setembro de 2025, mais de 2,7 mil mulheres sofreram esse tipo de crime. Outras 1.075 morreram vítimas de feminicídio.
Segundo o Mapa da Segurança Pública de 2025, divulgado pelo governo federal, o número absoluto de feminicídios tem crescido desde 2020 — quando foram registradas 1.355 vítimas — até os cerca de 1.459 em 2024.
Além dos casos oficialmente contabilizados de feminicídio, pesquisas do Atlas da Violência 2025 indicam que, de maneira mais ampla, até 3.900 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2023, com uma média de dez mulheres mortas por dia quando se considera toda a violência letal contra o sexo feminino — homicídios que muitas vezes envolvem contexto doméstico ou de gênero.
O machismo como fator estrutural
Especialistas afirmam que essas tragédias não são casos isolados, mas síntomas de um machismo estrutural que desvaloriza vidas femininas e normaliza a violência contra mulheres em múltiplos níveis — desde atitudes cotidianas de desqualificação até agressões físicas extremas que resultam em morte. O machismo não está apenas nos casos mais brutais, mas também nas práticas sociais que toleram, relativizam ou invisibilizam a violência contra mulheres. Isso inclui desde comentários condescendentes até a minimização de sinais de alerta em relações abusivas.
Perfil das vítimas e contexto social
Dados oficiais e análises de segurança pública indicam que a maioria das mulheres assassinadas por feminicídio é jovem e negra, e que a maior parte dos crimes ocorre dentro de casa e é cometida por companheiros ou ex-companheiros. Pesquisas mostram que mais de 60% das vítimas eram negras e que aproximadamente 80% dos crimes ocorreram no contexto de relacionamento íntimo, frequentemente com armas ou objetos contundentes.
Desafios e respostas do Estado
Apesar da existência de leis como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio no Código Penal, bem como de programas de proteção e medidas protetivas, a efetividade desses mecanismos ainda é insuficiente. Organizações de direitos humanos e movimentos de mulheres continuam a exortar por mais ações preventivas, educação contra violência de gênero, ampliação das redes de apoio e capacitação de profissionais de segurança pública e judiciário.
Até o final de 2025, os números disponíveis indicam que o Brasil continua a registrar níveis alarmantes de feminicídio e violência letal contra mulheres. Por trás de cada número há uma vida interrompida e famílias devastadas — um retrato cru da persistência do machismo na sociedade. Romper esse ciclo requer não apenas mudanças legais, mas uma transformação cultural profunda que confronte desigualdades de gênero e construa um país mais seguro para todas as mulheres.

