STF condena mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes após oito anos de espera por justiça
Irmãos Brazão recebem mais de 150 anos de prisão somados; ministra Anielle Franco afirma que decisão representa vitória da memória, da democracia e da luta contra a violência política.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, nesta quarta-feira (25), os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão pelos assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista Anderson Gomes, crime que marcou profundamente a política brasileira e mobilizou movimentos sociais no país e no exterior.
De acordo com a decisão, os dois foram apontados como mandantes do atentado ocorrido em 14 de março de 2018, no Rio de Janeiro. Cada um recebeu pena de 76 anos e três meses de reclusão em regime inicial fechado, totalizando 152 anos de prisão somados. O atentado também incluiu a tentativa de homicídio contra a ex-assessora parlamentar Fernanda Chaves, que sobreviveu ao ataque.

Além dos irmãos Brazão, outros envolvidos foram condenados no processo. O ex-policial militar Ronald Pereira, responsável pelo monitoramento da rotina da vereadora antes do crime, recebeu pena de 56 anos de prisão, considerada a segunda maior do julgamento.
Já o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, foi condenado a 18 anos de prisão por obstrução de Justiça e corrupção passiva. Segundo o STF, ele atuou para dificultar as investigações e garantir a impunidade dos mandantes, embora tenha sido absolvido das acusações diretas de homicídio e tentativa de assassinato.
Também foi condenado o ex-assessor parlamentar Robson Calixto, apontado como intermediário entre os acusados e milicianos envolvidos na execução do crime. Ele recebeu pena de nove anos de prisão por organização criminosa armada.
Repercussão e manifestação de Anielle Franco
Após a decisão histórica, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã de Marielle, se manifestou nas redes sociais destacando o sentimento de justiça após anos de mobilização social e familiar.
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Em publicação, Anielle afirmou que a condenação representa o resultado de “oito anos de muita luta por justiça, memória e reparação”, ressaltando que o legado político e social de Marielle permanece vivo.
“Justiça por Marielle e Anderson. A nossa luta segue pela continuidade do legado da Mari e por todas as vítimas de violência”, escreveu a ministra.
Um crime que se tornou símbolo nacional
O assassinato de Marielle Franco tornou-se um dos casos mais emblemáticos da história recente do Brasil, levantando debates sobre violência política, atuação de milícias e segurança de representantes públicos, especialmente mulheres negras e defensoras dos direitos humanos.
A decisão do STF é considerada um marco no processo de responsabilização criminal dos mandantes do atentado, encerrando uma das etapas mais aguardadas do caso e reforçando o compromisso institucional com o combate à impunidade.
Mesmo com as condenações, familiares e movimentos sociais afirmam que a vigilância democrática e a preservação da memória das vítimas seguem como parte fundamental da busca contínua por justiça.

