Regina Duarte não deixa legado, dizem senadores: ‘Nada fez pela cultura’

Atriz assumiu a pasta em 4 de março com a missão de ‘pacificar’ o setor. Segundo o presidente, ela assumirá a Cinemateca Brasileira, também vinculada à pasta. Mas a repercussão no meio político e social é de uma gestão negativa e ausente.

Atriz assumiu a pasta em 4 de março com a missão de ‘pacificar’ o setor. Segundo o presidente, ela assumirá a Cinemateca Brasileira, também vinculada à pasta.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quarta-feira (20) a saída da atriz Regina Duarte do cargo de secretária especial de Cultura. Em publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que ela assumirá a Cinemateca Brasileira, em São Paulo.

A Cinemateca Brasileira é a instituição responsável pela preservação da produção audiovisual brasileira e é vinculada à Secretaria da Cultura.

Regina Duarte assumiu a pasta em 4 de março, com a missão de “pacificar” o embate entre a classe artística e a indústria da cultura com o governo federal.

“Regina Duarte relatou que sente falta de sua família, mas para que ela possa continuar contribuindo com o Governo e a Cultura Brasileira assumirá, em alguns dias, a Cinemateca em SP. Nos próximos dias, durante a transição, será mostrado o trabalho já realizado nos últimos 60 dias”, afirmou Bolsonaro nas redes sociais.

A publicação de Bolsonaro foi acompanhada de um vídeo dele e de Regina, gravado no Palácio da Alvorada (veja abaixo). Na gravação, a atriz diz ter ido até a residência oficial do presidente perguntar se estaria sendo “fritada”.

A saída de Regina Duarte da Secretaria Especial de Cultura repercutiu entre os senadores. Nas redes sociais, eles lamentaram a instabilidade na gestão da pasta e a ausência de um legado deixado pela atriz que permaneceu no cargo por pouco mais de 70 dias. “Regina Duarte nem chegou a compor o ‘governo’. Nada fez pela cultura, sequer se sensibilizou com a morte de colegas. Com todo respeito, que ela mesma deixou de ter, já vai tarde!”, afirmou o líder da Minoria no Senado, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), no Twitter.

Para o líder do PT, senador Rogério Carvalho (SE), a ex-secretária demonstrou falta de habilidade e de interlocução com a classe artística. Ele teme que o cenário se agrave ainda mais com o futuro indicado para o cargo.

“Sai [Regina Duarte] como uma pessoa indesejada, incapaz de conduzir a pasta e, ainda por cima, fazendo teatrinho com o presidente para poder dizer que está saindo em paz, ganhando um prêmio de consolação. O pior é que se já era ruim, com a Regina ficou pior. O por vir ainda pode ser mais trágico para a cultura, para os produtores culturais e para toda classe artística brasileira”, disse em vídeo.

As incertezas nas políticas de incentivo à cultura do governo também foram destacadas pelo senador Fabiano Contarato (Rede-ES). “A deslealdade é o salário de quem se soma à escória bolsonarista: a história não os absolverá! Se a gestão ruinosa de Regina terminou, o mesmo não se pode dizer sobre o obscurantismo na cultura, que ainda atravessará um longo inverno”, ressaltou, também pelo Twitter.

‘Vergonha muito imensa’ Na mesma rede social, o senador Humberto Costa (PT-PE) publicou vídeo no qual o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e Regina Duarte explicam os motivos que levaram a atriz a deixar a secretaria e anunciam sua ida à Cinemateca Brasileira, em São Paulo. “Regina Duarte deixa o cargo e volta a passar uma vergonha muito imensa. Deixa de ser secretária de Cultura para ser funcionária de terceiro escalão da Secretaria. E comemora. Na cara lisa”, acrescenta.

As polêmicas geradas após entrevistas concedidas pela ex-secretária —como a que foi ao ar pela CNN Brasil, em que Regina minimizou atos da ditadura militar e se revoltou após um questionamento feito pela ex-colega de profissão, a atriz Maitê Proença— também foram lembradas pelo senador Jean Paul Prates (PT-RN). “Suicidou-se profissional e socialmente: saiu de contrato com a Globo onde ganhava até para ficar sem atuar, entrou num governo ruim, falou um monte de bobagens, ofendeu a cultura e a história, não fez nada de concreto e ainda teve que se contentar com um rebaixamento funcional”, avaliou o senador.

O senador Paulo Rocha (PT-PA) se somou às críticas. “Não adiantou a Regina Duarte vomitar barbaridades sobre a ditadura”, complementou.

Fonte: Uol/ G1

Foto Capa: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

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