ONU alerta para estresse e problemas psicológicos causados pela pandemia do coronavírus

Relatório divulgado nesta quinta-feira, 14, aponta para “décadas de negligência e falta de investimento” dos países no combate às doenças mentais

pandemia do novo coronavírus pode desencadear uma crise de saúde que causa problemas psicológicos associados ao luto, medo de doenças ou desemprego, alertou a Organização das Nações Unidas (ONU), nesta quinta-feira, 14, em um relatório.

O esforço global para combater o coronavírus esconde a disseminação dos problemas de saúde mental “após décadas de negligência e falta de investimento”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres. “A pandemia da covid-19 agora está afetando famílias e comunidades, causando mais estresse”, disse ele em uma mensagem de vídeo para apresentar o relatório. “Mesmo quando a pandemia está sob controle, a dor, a ansiedade e a depressão continuam afetando pessoas e comunidades”, acrescentou.

O relatório destaca o estresse relacionado ao medo de ser contaminado ou que a doença, que deixou quase 300 mil mortos em todo o mundo desde seu aparecimento na China no final de 2019, contamine os membros da família. Também aponta o impacto psicológico nas pessoas que perderam ou podem perder suas fontes de renda e naquelas que foram separadas de seus parentes ou sofreram longos confinamentos.

“Sabemos que a situação atual, o medo e a incerteza, a turbulência econômica, geram ou podem gerar sofrimento psicológico”, disse Devora Kestel, diretora de Saúde Mental e Abuso de Substâncias Psicoativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), em uma entrevista coletiva virtual.

O pessoal que trabalha na linha de frente contra a pandemia, começando pelos profissionais de saúde, trabalha, em condições “imensamente estressantes” e é especialmente vulnerável, disse Kestel, citando o aumento das taxas de suicídio do pessoal médico revelado pela mídia.

Além disso, as crianças e as mulheres, forçadas a ficar em casa, são as mais expostas à violência doméstica. Por sua vez, os idosos e aqueles com doenças crônicas, que os enfraquecem diante do novo coronavírus, têm grande ansiedade devido ao medo de se contaminar e de sofrer uma forma grave da doença. As pessoas que já são psicologicamente frágeis e que não podem acessar o tratamento habitual também podem ter sua saúde deteriorada.

O relatório cita, entre outros, um estudo na região de Amhara, na Etiópia, o qual mostra que 33% da população sofre “três vezes mais” sintomas de depressão do que antes da pandemia. Outros estudos indicam que a prevalência de estresse mental durante a crise atinge 60% no Irã e 45% nos Estados Unidos.

A ONU também pede investimentos maciços por parte dos governantes. Antes da pandemia, os países destinavam uma média de 2% de seus gastos em saúde para as doenças mentais.

Arte: Correio Braziliense

Fonte: Estadão

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