Onde você estaria hoje se não tivesse o direito de escolher?
Evento da SEPOM na Câmara marca os 94 anos do voto feminino com reflexão sobre democracia e representatividade.
Nesta terça-feira, 24 de fevereiro, a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SEPOM) promoveu um evento de reconhecimento e reflexão pelos 94 anos do voto feminino. Realizado na Câmara de Vereadores de Pojuca, o encontro trouxe como tema provocador “Onde você estaria hoje se não tivesse o direito de escolher?”, convidando o público a revisitar a história do voto feminino no Brasil e a refletir sobre os caminhos ainda necessários para o fortalecimento da participação das mulheres na política.
A data marca uma conquista histórica assegurada em 1932, que garantiu às mulheres brasileiras não apenas o direito de votar, mas também de serem votadas, ampliando sua presença nos espaços de poder e decisão e fortalecendo a democracia.
Durante a abertura, a secretária Helena Aparecida destacou o simbolismo do momento e o compromisso permanente da SEPOM com a pauta. “Hoje é um dia muito importante. Celebramos o direito ao voto feminino, mas também reafirmamos que a Secretaria tem como eixo de trabalho a participação política paritária e o fortalecimento da democracia. Não poderíamos deixar essa data passar sem provocar uma reflexão sobre os avanços conquistados e, principalmente, sobre o fortalecimento da mulher na política.”

A programação contou com palestras que aprofundaram o debate sob diferentes perspectivas.
A historiadora e mestranda em Sociologia, Célia Santana, abordou a trajetória da conquista do voto feminino, os desafios ainda presentes e a importância da participação política das mulheres, convidando o público à autorreflexão: “Quando falamos do voto feminino, não estamos falando apenas de um direito garantido em lei, mas de um caminho de coragem aberto por muitas mulheres antes de nós. A pergunta que deixo é: o que eu quero para mim? Porque ocupar espaços também começa pela consciência do nosso próprio valor, da nossa voz e do nosso lugar na sociedade.”
Neia Bastos, chefe de gabinete da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Bahia e reconhecida pelo trabalho em defesa dos direitos das mulheres, ampliou o olhar para além do ato de votar, abordando a importância da ocupação efetiva dos espaços de poder. “Garantir o direito ao voto foi um passo fundamental, mas a luta não parou ali. Precisamos avançar nas escolhas para ocupar espaços de decisão.”


O evento também contou com a participação das vereadoras Gerusa Laudano e Domingas Costa, que compartilharam suas experiências na vida pública e reforçaram a importância da representatividade feminina nos parlamentos, conselhos e demais instâncias decisórias.
Ao reunir poder público, sociedade civil e lideranças femininas, o encontro reafirmou que celebrar o voto feminino é, sobretudo, manter viva a luta por equidade, voz e participação.
Ao encerrar o encontro, ficou evidente que a conquista do voto feminino não é apenas um marco histórico, mas um chamado permanente à responsabilidade coletiva. Se há 94 anos as mulheres lutaram para ter o direito de escolher, hoje o desafio é garantir que essa escolha se traduza em presença, influência e transformação real nos espaços de decisão.


