Educação

Mostra audiovisual reúne curtas produzidos por estudantes e destaca força da arte no ambiente escolar

Evento realizado no CETIC, em Catu-BA, apresentou quatro produções desenvolvidas em oficina de cinema com alunos da rede pública.



A arte e o audiovisual ganharam protagonismo no ambiente escolar durante a amostra de produções cinematográficas realizada no auditório do CETIC, no dia 18, às 15h, no bairro do BR em Catu-BA. O evento reuniu curtas-metragens produzidos por estudantes participantes de uma oficina de cinema desenvolvida a partir de projetos educacionais estruturantes, reforçando o papel da escola como espaço de criação, expressão e transformação social.

Apoena Araújo ( Diretor Cetic)
Carla Sandra ( Policial civil)
Matheus Neri ( Jovem Ouvidor)
Carlos Rios ( Professor da Cinemateca)
Adonay Silva ( Sec. Esporte e Lazer)


A oficina surgiu a partir das experiências vivenciadas no colégio com projetos voltados à formação integral dos alunos. Com a criação do programa Educa+ Bahia, que passou a ofertar atividades extracurriculares, os oficineiros foram convidados a orientar novos estudantes interessados em ingressar no universo do audiovisual, ampliando horizontes e possibilidades profissionais.
Durante o processo formativo, os alunos tiveram contato com conteúdos teóricos e práticos. A oficina foi dividida em duas etapas e, ao longo das aulas, os próprios estudantes desenvolveram os curtas que seriam exibidos ao final do ano no Festival da Cinemateca. Entre os temas trabalhados estiveram decupagem, linguagem cinematográfica, semiótica, roteiro, atuação e direção.


O Festival da Cinemateca acontece anualmente e reúne todas as produções realizadas ao longo do ano letivo. Além da exibição dos filmes, o evento promove uma premiação simbólica com categorias como melhor atriz, melhor ator e melhor direção, valorizando o esforço e o talento dos jovens envolvidos.


Nesta edição, quatro produções foram apresentadas ao público, todas dentro do gênero drama, escolhido propositalmente para retratar a realidade e suas complexidades. O curta “Última Visita” aborda a transexualidade e a busca pela aceitação familiar. “Servidor Fechado” traz uma reflexão sobre crimes virtuais ocorridos em plataformas digitais, como o Discord, envolvendo situações extremas de violência psicológica. Já “Essa Casa Não É Minha” retrata um drama familiar marcado por traumas do passado que impactam a relação de uma mãe com suas filhas. Encerrando a mostra, “Sentença” apresenta a história de um aluno que decide abandonar a vida no crime para recomeçar por meio da educação.


De acordo com os professores responsáveis pela oficina, Carlos Chian e Lucas Sereno, o principal objetivo do projeto é mostrar que o cinema e a arte também acontecem em nível regional. “É muito gratificante ver pessoas da nossa própria cidade atuando, criando e contando histórias que dialogam com a nossa realidade”, destacam. O projeto também tem despertado em ex-alunos o interesse em seguir carreiras nas áreas de audiovisual, cinema e publicidade.


Mais do que formar futuros profissionais, a iniciativa evidencia a importância do incentivo à arte dentro das escolas. Projetos que fortalecem a criatividade, o pensamento crítico e a sensibilidade dos estudantes, além de oferecerem novas perspectivas de vida. Ao investir em cultura e educação artística, a escola busca cumprir um papel fundamental na construção de cidadãos mais conscientes, empáticos e preparados para transformar a sociedade.

Para Matheus Nery, Jovem Ouvidor do Cetic e Ex aluno da oficina, “a oficina de audiovisual do Educa+ Bahia, realizada no CETIC, mostrou que a escola também é espaço de voz, criação e protagonismo estudantil. Através do cinema, estudantes transformaram vivências em narrativas que falam de temas reais, urgentes e necessários, assuntos que muitas vezes são silenciados, mas que precisam ser discutidos dentro e fora da escola.
Os curtas abordam questões que atravessam diretamente a juventude, provocam reflexão e diálogo, e mostram que o audiovisual é uma ferramenta potente de expressão, consciência e transformação. Não são apenas filmes, são posicionamentos, vivências e gritos coletivos.
O Festival da Cinemateca marcou a força desse movimento. O evento contou com a presença de autoridades, comunicadores e da comunidade, ampliando o alcance das produções e reafirmando a importância de investir em arte, cultura e educação pública.
Tendo participado das produções em outros momentos, é possível perceber o quanto essa oficina impacta e fortalece os estudantes. Muito desse processo vem do trabalho sensível e comprometido dos professores Lucas Sereno e Carlos Rios, que constroem junto com os alunos um espaço de escuta, incentivo e protagonismo.Quando a juventude fala do que é real, a escola se torna mais viva, mais consciente e mais necessária.” Destacou o aluno.