Moradores de Catu denunciam falta de organização no atendimento de saúde em UBSs
Relatos apontam filas na madrugada, falta de vagas e desgaste físico; Secretaria de Saúde afirma que situação será apurada.
Moradores do município de Catu, aproximadamente de 74 km de Salvador( capital do estado da Bahia), têm utilizado as redes sociais para denunciar dificuldades no acesso aos serviços de saúde, especialmente no posto de saúde do bairro Bom Viver e em outras Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade. As principais reclamações envolvem a necessidade de chegar de madrugada às unidades para conseguir atendimento, número limitado de vagas e falta de organização no processo de marcação de exames e consultas especializadas.
Um dos relatos que ganhou repercussão foi o da paciente Sandra Velozo, que expôs publicamente sua indignação ao afirmar que precisou dormir na porta do posto de saúde para tentar garantir uma ficha de atendimento.

Segundo Sandra, a situação é recorrente e atinge várias pessoas, inclusive idosos e pacientes com doenças crônicas, como hipertensão, que não deveriam enfrentar longas filas durante a madrugada. Ela relata ainda dificuldades para conseguir realizar uma mamografia, mesmo após diversas tentativas no setor responsável.

imagem ilustrativa de uma UBS em Catu
“Chega a ser desumano. Dizem que são 40 vagas, mas quando a gente chega já tem cerca de 80 pessoas que madrugaram na fila. A saúde em Catu está cada dia pior. Pedimos socorro”, desabafou a paciente.
Ainda de acordo com o relato, além do cansaço físico, os usuários se sentem inseguros ao precisarem sair de casa durante a madrugada, colocando a própria vida em risco para tentar acesso a um direito básico garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Secretaria de Saúde se manifesta e diz que prática não é orientação da gestão
Diante da repercussão do caso, a Secretaria Municipal de Saúde de Catu, por meio da Assessoria de Comunicação (Ascom), divulgou uma nota oficial informando que não é orientação da gestão que usuários precisem chegar de madrugada ou permanecer durante a noite nas portas das unidades de saúde para conseguir atendimento.
Na nota, a pasta afirma que situações como as relatadas não condizem com os princípios do SUS e garante que os fatos estão sendo apurados.
“Prezamos pelo respeito e pela dignidade de todos os usuários do SUS. A Secretaria Municipal de Saúde de Catu lamenta profundamente o relato apresentado e se solidariza com todas as pessoas que se sentiram prejudicadas ou desassistidas”, diz o comunicado.
A Secretaria esclarece ainda que as senhas distribuídas servem apenas para organizar a ordem de chegada, e que todos os pacientes que comparecem às unidades são atendidos. Em relação à mamografia, foi informado que há, em média, 40 vagas disponibilizadas pela Policlínica Regional de Alagoinhas, conforme o Contrato de Rateio nº 01/2026.
Segundo a gestão, eventuais manutenções ou falhas no equipamento da policlínica podem gerar aumento temporário da demanda, impactando o agendamento dos exames.
“Seguimos firmes no compromisso com os munícipes de Catu, trabalhando continuamente para melhorar o acesso, o acolhimento e a qualidade dos serviços de saúde”, conclui a nota.
População cobra melhorias concretas
Apesar da resposta oficial, moradores seguem cobrando medidas práticas, como ampliação do número de vagas, melhoria na comunicação com os usuários e um sistema de regulação mais eficiente, que evite filas extensas e a necessidade de madrugar nas portas das unidades de saúde.
A situação reacende o debate sobre o acesso à saúde pública no município e reforça a necessidade de diálogo entre a gestão municipal e a população para garantir atendimento digno, humanizado e seguro para todos.

