Política

Idosos ganham peso nas urnas e participação pode ser decisiva nas Eleições 2026

Com quase 17 milhões de eleitores acima dos 70 anos, grupo tem voto facultativo e representa mais de 10% do eleitorado brasileiro.

Nas Eleições 2026, um grupo que muitas vezes aparece de forma secundária nas discussões eleitorais pode ter um peso significativo nas urnas: o eleitorado idoso. Com o envelhecimento da população brasileira, aumentou também a presença de pessoas mais velhas entre os eleitores aptos a votar.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil terá 158,7 milhões de eleitoras e eleitores nas eleições deste ano. Desse total, 37,45 milhões têm 60 anos ou mais, o equivalente a 23,6% do eleitorado nacional. Na prática, isso significa que quase um em cada quatro eleitores brasileiros está nessa faixa etária. (Fonte: TSE)

O número cresceu em relação a 2022, quando eram 32,89 milhões de eleitores com 60 anos ou mais. Em quatro anos, foram acrescentados mais de 4,5 milhões de eleitores idosos ao cadastro eleitoral.

Voto facultativo amplia a importância do comparecimento

Dentro desse universo, há ainda um recorte que merece atenção: quase 17 milhões de brasileiros com mais de 70 anos estão aptos a votar em 2026. Esse grupo representa mais de 10% do eleitorado e tem o voto facultativo, ou seja, pode decidir comparecer ou não às urnas. Em comparação com 2022, o número de eleitores acima dos 70 anos cresceu 15,75%.

É justamente aí que a participação pode ganhar peso. Em uma eleição disputada, cada parcela do eleitorado que comparece às urnas influencia a composição dos votos válidos. Portanto, se uma parcela expressiva dos eleitores acima dos 70 anos decidir exercer voluntariamente o direito de votar no dia 4 de outubro, sua participação terá relevância no resultado final, embora não seja possível afirmar previamente qual candidatura será beneficiada.

O dado também ajuda a dimensionar a mudança no perfil do eleitor brasileiro. Em 2024, o eleitorado com 70 anos ou mais correspondia a cerca de 9,75% dos aptos a votar. Para 2026, essa participação já ultrapassa 10%..

A questão da abstenção, portanto, permanece central. No primeiro turno de 2022, mais de 32,7 milhões de eleitores não compareceram às urnas, o equivalente a 20,95% do eleitorado apto. (Tribunal Superior Eleitoral⁠)

Saúde, renda e proteção social estão entre os temas de interesse

O crescimento da presença dos idosos nas urnas também modifica o peso de determinados temas no debate eleitoral. Saúde pública, acesso a medicamentos, aposentadorias, previdência, assistência social, segurança, mobilidade, cuidados de longo prazo e custo de vida estão entre as questões que afetam diretamente essa parcela da população e suas famílias.

Para a cientista política e professora da UFRJ Mayra Goulart, citada no material original, o envelhecimento do eleitorado torna essas pautas cada vez mais relevantes para candidaturas que buscam ampliar sua presença nacional.

A especialista também ressalta que não existe um comportamento político único entre os idosos. Diferenças de renda, escolaridade, religião, gênero e região fazem com que esse eleitorado seja diverso.

Mulheres são maioria entre os eleitores idosos

Outro aspecto importante está na composição desse grupo. Dados do Censo 2022 mostram que as mulheres são maioria entre as pessoas idosas, proporção que aumenta conforme a idade avança.

Essa realidade também se reflete nas demandas eleitorais, especialmente em temas relacionados à saúde, renda, previdência e às redes familiares de cuidado.

Nas Eleições 2026, a participação feminina continua predominante no eleitorado brasileiro: são 83,8 milhões de mulheres, correspondentes a 52,81% dos eleitores aptos. (Tribunal Superior Eleitoral⁠)

Participação depende também de condições para votar

O TSE vem realizando ações específicas para estimular a participação do eleitorado 70+, inclusive com treinamento para o uso da urna eletrônica. Na Bahia, uma ação realizada em Salvador reuniu eleitores idosos para simulação da votação e esclarecimentos sobre os cargos em disputa. Segundo o tribunal, mais de 1 milhão de baianos entre 70 e 100 anos ou mais estão aptos a votar em 2026. (Tribunal Superior Eleitoral⁠)

A Justiça Eleitoral também garante atendimento prioritário às pessoas com 60 anos ou mais nos locais de votação. Para quem tem mais de 80 anos, a prioridade é absoluta, independentemente da ordem de chegada. (Tribunal Superior Eleitoral⁠)

Neste domingo, 4 de outubro, portanto, o eleitorado idoso terá uma escolha que vai além da definição de comparecer ou não às urnas. Para quem tem 70 anos ou mais, votar é uma decisão voluntária. E, diante de um eleitorado que já representa mais de 10% dos aptos, a decisão de participar pode fazer diferença na quantidade de votos válidos contabilizados no pleito.

Nas eleições de 2026, o envelhecimento do eleitorado é um dos elementos que ajudam a explicar a importância de cada grupo na formação do resultado das urnas.

cientista política e professora da UFRJ Mayra Goulart