“Gay de Direita” recebe 294 votos, critica falta de apoio e anuncia mudança de trajetória política
João Pedro Sastre, que buscou espaço no campo da direita e declarou apoio a Flávio Bolsonaro, afirmou que não recebeu o suporte que esperava; após o resultado, disse que pretende deixar as disputas eleitorais.
O resultado das eleições de 2026 provocou um desabafo de João Pedro Sastre, conhecido nas redes sociais como “Gay de Direita”. Candidato a deputado federal por São Paulo pelo MDB, Sastre terminou a apuração com 294 votos, apesar de possuir mais de 115 mil seguidores nas redes sociais. Após acompanhar o resultado, ele afirmou que passou a concordar com críticas que vinha recebendo sobre a dificuldade de candidatos LGBTQIA+ encontrarem apoio dentro do campo político de direita.
Em vídeo publicado após a apuração, Sastre declarou:
“Para todos aqueles que falaram que a direita não apoia LGBTs, que a direita não vota em LGBT, que a direita não elege essa classe, vocês têm razão.”
O candidato também atribuiu parte do resultado à estrutura disponível durante a campanha. Segundo ele, houve poucos recursos e investimentos, enquanto outros concorrentes teriam contado com uma estrutura maior.
Relação com Flávio Bolsonaro
A trajetória de Sastre durante a campanha também foi marcada pela busca de aproximação com Flávio Bolsonaro (PL), a quem declarou apoio. Em julho, o então pré-candidato chegou a relatar que havia sido impedido de entrar em uma agenda no Guarujá e afirmou ser um apoiador fiel do senador. Flávio respondeu posteriormente que não havia um evento oficial organizado por sua equipe e pediu desculpas pelo episódio.
Antes disso, Sastre também havia tentado viabilizar uma candidatura pelo PL, segundo relatos publicados durante a campanha. Posteriormente, concorreu pelo MDB e, em agosto, anunciou a desistência da disputa, alegando falta de apoio e estrutura partidária. Apesar do anúncio, seu nome permaneceu disponível nas urnas e ele acabou contabilizando 294 votos.
Após a eleição, a crítica ganhou outro tom. Sastre afirmou que pretende mudar sua trajetória política e não disputar mais cargos eletivos. Em outro momento, também relatou que as mensagens de apoio recebidas após o resultado vieram, segundo ele, principalmente de jovens LGBTQIA+ ligados à esquerda.
Outros candidatos LGBTQIA+ ligados à direita também ficaram fora
O episódio não foi isolado. Nas eleições deste ano, outras candidaturas LGBTQIA+ identificadas com a direita também não conquistaram vagas.
Em São Paulo, Sophia Barclay (PL), conhecida por se apresentar como uma mulher trans de direita, terminou a disputa para deputada federal com 23.269 votos, sem conseguir uma cadeira na Câmara.
A situação reforçou o debate sobre o espaço eleitoral de candidatos LGBTQIA+ que buscam se apresentar dentro do campo conservador. Uma análise publicada durante a eleição apontou que, embora existam candidaturas trans em partidos de centro e direita, a maior parte das candidaturas desse segmento estava concentrada em partidos de esquerda.
No caso de Sastre, porém, o resultado teve um desdobramento político mais direto: o próprio candidato passou a questionar publicamente o espaço que encontrou na direita e anunciou uma mudança em sua trajetória.
Em publicação posterior, ele ainda pediu desculpas a integrantes da comunidade LGBTQIA+ por posicionamentos anteriores e sinalizou uma aproximação com o campo político de esquerda, chegando a declarar apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno.
O caso de João Pedro Sastre coloca novamente em discussão a relação entre identidade, posicionamento político e representação eleitoral, especialmente para candidatos LGBTQIA+ que buscam construir suas candidaturas fora do campo tradicionalmente associado à pauta de direitos da comunidade.

