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Gari encontra dinheiro no lixo, procura o dono e dá exemplo de honestidade em meio ao período eleitoral

Em Realengo, no Rio de Janeiro, Fabiano Cândido da Silva encontrou uma bolsa com dinheiro, documentos e objetos pessoais durante o trabalho e decidiu fazer o que nem sempre parece óbvio: devolver tudo ao verdadeiro dono.

Em meio a um período em que a sociedade volta seus olhos para a política, discute propostas e cobra dos candidatos ética, transparência e honestidade, uma história vinda do Rio de Janeiro chama atenção por uma razão simples, mas poderosa: a honestidade também se revela nas pequenas escolhas do cotidiano.

O gari Fabiano Cândido da Silva, funcionário da Companhia Municipal de Limpeza Urbana do Rio de Janeiro (Comlurb), encontrou uma bolsa com dinheiro, documentos e diversos objetos pessoais enquanto trabalhava na coleta de lixo em Realengo, na Zona Oeste da capital fluminense.

O caso aconteceu na quarta-feira (19), segundo informações divulgadas pela Comlurb e repercutidas pelo g1. Entre os pertences havia notas de R$ 100, cartão de crédito, carregador de celular, óculos e documentos. Ao identificar o nome do proprietário, Felipe, Fabiano decidiu procurar o homem.

E não foi simplesmente esperar que o dono aparecesse.

De porta em porta até encontrar o proprietário

De acordo com o relato do gari, ele percorreu a região perguntando aos moradores se conheciam Felipe. Uma mulher teria indicado que o rapaz morava em uma casa verde nas proximidades.

Fabiano foi até o endereço e chamou pelo proprietário. Depois de alguns minutos, conseguiu encontrá-lo e devolveu todos os pertences, incluindo o dinheiro.

O episódio foi registrado em vídeo e divulgado nas redes sociais da Comlurb. A companhia destacou a atitude como exemplo de ética, honestidade e integridade. Fabiano trabalha há 16 anos na empresa e atua na coleta domiciliar em Realengo.

A história também foi repercutida pelo portal g1, que informou que todos os objetos foram devolvidos ao proprietário e que a própria Comlurb reconheceu publicamente a atitude do trabalhador.

Uma lição que também vale para a política

A atitude de Fabiano traz uma reflexão especialmente importante em um período eleitoral.

É comum ouvirmos que “todo político é corrupto”, que “ninguém presta” ou que a honestidade desapareceu da vida pública. Ao mesmo tempo, cobramos dos candidatos aquilo que, muitas vezes, não estamos dispostos a praticar no nosso próprio cotidiano.

A história do gari mostra justamente o contrário: nem todo mundo é desonesto.

Fabiano poderia ter simplesmente guardado o dinheiro. Afinal, ninguém estava olhando. Não havia uma câmera acompanhando cada passo da sua decisão. Mas ele escolheu devolver aquilo que não lhe pertencia.

E essa talvez seja uma das maiores lições da história.

Honestidade não deveria ser uma qualidade exigida apenas de políticos, empresários, servidores públicos ou autoridades. Ela começa nas escolhas individuais: no dinheiro encontrado, na vantagem que poderíamos levar, no favor que não deveríamos aceitar, naquilo que fazemos quando ninguém está vendo.

Nem todos são iguais — e o eleitor também precisa fazer sua parte

A política, como qualquer outro ambiente da sociedade, é formada por pessoas diferentes. Existem pessoas honestas e desonestas, comprometidas e oportunistas, éticas e aquelas que colocam interesses pessoais acima do coletivo.

Isso vale para a política, mas também vale para a sociedade como um todo.

Por isso, afirmar que “todo político é corrupto” pode ser tão equivocado quanto acreditar que todo candidato é honesto apenas porque fez uma promessa bonita durante a campanha.

O papel do eleitor é fazer o filtro.

Assim como Fabiano teve diante de si a oportunidade de escolher entre ficar com aquilo que encontrou ou procurar o verdadeiro dono, o eleitor também terá, diante da urna, a oportunidade de escolher.

É preciso pesquisar a trajetória dos candidatos, observar suas atitudes, conhecer suas propostas, verificar seu histórico e acompanhar como se comportam antes, durante e depois das eleições.

A democracia não termina no momento em que o voto é depositado. A responsabilidade do cidadão também está em fiscalizar, cobrar e participar.

Um gari mostrou que ainda há esperança

A história de Fabiano pode parecer pequena diante dos grandes problemas enfrentados pelo país. Mas são justamente atitudes como essa que ajudam a lembrar que caráter não depende de cargo, salário, profissão ou posição social.

O trabalhador que passa pelas ruas recolhendo aquilo que a sociedade descarta encontrou dinheiro e escolheu devolvê-lo.

Seu gesto não resolve os problemas da política brasileira, não elimina a corrupção e não transforma, sozinho, a realidade do país.

Mas deixa uma mensagem importante: não podemos perder a capacidade de acreditar que existem pessoas boas e honestas.

E, principalmente, não podemos usar os erros de alguns como justificativa para desacreditar de todos.

No período eleitoral, quando voltamos a cobrar honestidade dos candidatos, talvez seja também o momento de olhar para nós mesmos e perguntar: o que fazemos quando temos a oportunidade de levar vantagem e ninguém está olhando?

Fabiano já deu a sua resposta.

E cabe a cada cidadão dar a sua — inclusive diante da urna.

Fontes consultadas: g1 e informações divulgadas pela Comlurb, além da repercussão do caso pelo portal Só Notícia Boa.