Eleições 2026: corrida presidencial começa com diferentes estratégias e discursos na disputa pelo Planalto
Os principais candidatos à Presidência dão largada oficial e embala a disputa em múltiplos tons de discursos e pautas antagônicas.
A corrida pela Presidência da República entrou oficialmente em uma nova fase neste domingo (16), quando os candidatos puderam iniciar a campanha eleitoral nas ruas e pedir votos. Com o fim das convenções partidárias e o encerramento do prazo para registro das candidaturas, os principais nomes que disputarão o Palácio do Planalto começaram a apresentar suas estratégias, discursos e propostas ao eleitorado.
Ao todo, 13 candidatos foram oficializados para a disputa presidencial de 2026, mas cinco nomes concentram atualmente grande parte da atenção política: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). Também está na disputa o escritor e médico Augusto Cury (Avante), entre outros candidatos de partidos menores.
Lula aposta na história política e na comparação com governos anteriores
Atual presidente da República, Lula (PT) escolheu São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, para realizar seu primeiro grande ato de campanha. O local tem forte relação com a trajetória política do petista, que ganhou projeção nacional como líder sindical durante as greves dos metalúrgicos no final da década de 1970 e início dos anos 1980.
O evento aconteceu no Estádio 1º de Maio, espaço simbólico da história do movimento sindical brasileiro. Ao lado de aliados e integrantes dos partidos que compõem sua coligação, Lula apresentou as primeiras linhas de sua campanha em busca de um quarto mandato presidencial.
Entre os principais temas destacados pelo presidente estão programas sociais, soberania nacional, segurança pública, investimentos, educação e a comparação entre os resultados de seu governo e os de administrações anteriores. Lula também voltou a fazer críticas à direita e ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro transforma Copacabana em palco do bolsonarismo
Do outro lado do espectro político, Flávio Bolsonaro (PL) escolheu a Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, para abrir oficialmente sua campanha. O local é um dos principais símbolos das manifestações do bolsonarismo na cidade.
A escolha também reforça a ligação do senador com o eleitorado fluminense e com o legado político de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que o indicou como candidato à Presidência.
Durante o ato, Flávio apareceu ao lado de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar, e utilizou o legado do pai como um dos principais elementos de seu discurso. Entre as bandeiras apresentadas estão o endurecimento das políticas de segurança pública, combate ao crime organizado, redução da maioridade penal, redução de gastos públicos e críticas às decisões do Supremo Tribunal Federal.
Flávio tenta se consolidar como o principal nome da oposição ao governo Lula e como representante do eleitorado bolsonarista na eleição de outubro.
Caiado tenta se apresentar como alternativa dentro da direita
O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) também iniciou sua caminhada presidencial em seu principal reduto eleitoral.
O candidato percorreu municípios do entorno do Distrito Federal, incluindo Águas Lindas de Goiás, Santo Antônio do Descoberto, Novo Gama, Valparaíso e Cidade Ocidental, encerrando o percurso em Luziânia.
Caiado aposta na experiência acumulada como governador e em temas como segurança pública, saúde, educação, agronegócio e responsabilidade fiscal. Durante o lançamento, deixou claro que pretende disputar o espaço de principal candidato de oposição a Lula.
O ex-governador também afirmou que não pretende apoiar Lula caso fique fora de um eventual segundo turno, reforçando a tentativa de se diferenciar tanto do atual presidente quanto de Flávio Bolsonaro.
Zema inicia campanha no norte de Minas
Pelo Novo, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema escolheu Montes Claros, no norte do estado, para iniciar oficialmente sua campanha.
A agenda começou com uma missa e seguiu com encontro com candidatos do partido. Em seu discurso, Zema destacou temas que marcaram sua passagem pelo governo mineiro, como combate à corrupção, segurança pública, eficiência administrativa e redução de gastos.
O candidato também afirmou acreditar que poderá chegar ao segundo turno e apresentou sua gestão em Minas Gerais como referência para o projeto que pretende levar ao governo federal.
Renan Santos aposta em renovação e discurso liberal
Outro nome que iniciou oficialmente a campanha foi Renan Santos, do partido Missão, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL).
O candidato escolheu o Largo São Francisco, no centro de São Paulo, para seu primeiro ato. O local tem ligação direta com sua trajetória acadêmica e política.
Renan apresentou um discurso voltado para empreendedorismo, segurança pública, crítica ao assistencialismo e renovação política. O lançamento contou com a presença de nomes ligados ao MBL, como Kim Kataguiri e Amanda Vettorazzo.
Augusto Cury leva discurso social para a campanha
O escritor e médico Augusto Cury (Avante) também deu início à campanha presidencial. O candidato esteve em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, onde apresentou propostas especialmente relacionadas à saúde.
Cury tenta construir uma candidatura distante da tradicional polarização entre esquerda e direita. Seu discurso aposta na ideia de união nacional e em políticas voltadas para a família, saúde e qualidade de vida.
Uma eleição marcada pela polarização
A largada oficial das campanhas mostra que a eleição presidencial de 2026 deve ser marcada novamente por uma forte disputa entre diferentes projetos políticos.
De um lado, Lula busca a continuidade de seu projeto político e tenta defender os resultados de seu governo. Do outro, Flávio Bolsonaro procura herdar o capital eleitoral e político do pai e se consolidar como principal representante da direita bolsonarista.
Ao mesmo tempo, candidatos como Caiado e Zema tentam ocupar um espaço de oposição ao governo federal sem necessariamente reproduzir a mesma estratégia política do bolsonarismo. Renan Santos, por sua vez, busca apresentar uma alternativa liberal e associada à renovação da política.
A primeira fase da campanha também será marcada pela propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que começa em 28 de agosto. Até o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, os candidatos terão pouco mais de um mês para conquistar eleitores, ampliar suas alianças e consolidar suas posições na disputa.
A eleição presidencial de 2026, portanto, começa oficialmente com uma disputa ainda aberta e com diferentes campos políticos tentando conquistar o eleitorado. Os primeiros atos realizados pelos candidatos deixam claro que a campanha será travada não apenas em torno de propostas, mas também de identidade política, legado de governos anteriores e da tentativa de definir quem será o principal nome da oposição ao atual presidente.
***Por Yuri Henrique sob supervisão de Donaire Verçosa***

