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Dormir mal pode reduzir a capacidade de lidar com o estresse, aponta pesquisa

Estudo relaciona atividade cerebral durante o sono profundo à maior resistência aos efeitos do estresse



A qualidade do sono pode influenciar a maneira como o cérebro responde a situações de estresse. É o que aponta um novo estudo publicado na segunda-feira (7) na revista científica JNeurosci, que investigou a relação entre a atividade cerebral durante o sono e a capacidade de lidar com experiências sociais consideradas estressantes.

A pesquisa foi conduzida por pesquisadores da Morehouse School of Medicine, nos Estados Unidos, e analisou especificamente o sono não REM, fase que ocupa a maior parte do período de descanso dos adultos e está relacionada a processos importantes de recuperação do organismo.

Dentro dessa etapa, o chamado sono de ondas lentas, ou sono profundo, tem papel importante na recuperação cerebral, na regulação das emoções e no funcionamento das funções cognitivas. Estudos anteriores já haviam relacionado essa fase do sono à maior capacidade de enfrentar situações de estresse, mas os mecanismos cerebrais envolvidos nessa relação ainda não eram completamente conhecidos.

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Região do cérebro é observada durante o sono

Para compreender melhor esse processo, os pesquisadores utilizaram modelos animais e observaram a atividade do córtex pré-límbico, região do cérebro associada à interpretação e à contextualização das respostas emocionais.

Durante o sono, os cientistas identificaram uma redução da atividade dos neurônios nessa área, um processo característico do estado de repouso cerebral.

Maior redução da atividade esteve ligada à resiliência

O principal resultado observado foi a associação entre a intensidade dessa redução da atividade cerebral e a capacidade dos animais de resistir aos efeitos comportamentais provocados por experiências estressantes.

Os camundongos que apresentaram maior supressão da atividade dos neurônios no córtex pré-límbico durante o sono profundo também demonstraram maior resistência aos efeitos do estresse.

Em outras palavras, quanto mais intenso era o “silenciamento” dessa região cerebral durante o sono de ondas lentas, maior parecia ser a resiliência dos animais.

Resultados ainda precisam ser confirmados em humanos

Os resultados reforçam a hipótese de que o sono exerce funções importantes na recuperação e na organização do cérebro, além do descanso físico.

No entanto, como a pesquisa foi realizada com modelos animais, os resultados não podem ser aplicados diretamente aos seres humanos. Novos estudos serão necessários para verificar se o mesmo mecanismo ocorre no cérebro humano e qual é a relação entre a qualidade do sono e a capacidade de lidar com situações de estresse no cotidiano.