Catu aderi o Setembro Amarelo
O Centro de Valorização da Vida aponta que 32 brasileiros cometem suicídio diariamente. E para a Organização Mundial da Saúde, 9 em cada 10 casos poderiam ser evitados

A campanha, iniciada no Brasil em 2015, consiste em promover informações necessárias para a prevenção do suicídio, gerando maior visibilidade ao tema, com o intuito de esclarecer a seriedade do problema. O Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medica (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) são as principais entidades responsáveis pela ação no país.

O suicídio é um fenômeno que pode ser latente, geralmente, camuflado em crenças populares, o que pode favorecer o descaso. Entretanto, já é considerado como problema de saúde pública no Brasil. Os dados emitidos pelo CVV, revelam que as taxas de suicido no país é superior às vítimas da AIDS e da maioria dos tipos de câncer.
Esse ano, o Setembro Amarelo, contou com o incentivo em diversos locais do país, desde iluminação temática em monumentos históricos, à caminhadas. Em Catu, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) I, também iniciou suas ações para a prevenção dessa prática. O Dr. José Gabriel de Alencar, psiquiatra do local há dois anos, afirma que 15% de seus pacientes já tentaram o suicídio.

Para o médico, a omissão do tema potencializa os riscos. “Há o estigma de que falar sobre o suicídio é pior, porque poderia induzir alguém… essa ideia não deveria existir, as pessoas devem ser informadas”. Se a intenção é prevenir, a população precisa se ater às informações, para aprender a lidar com o fenômeno de forma adequada.
Sobre as principais causas do suicídio, o Dr. José Gabriel, aponta que estão ligadas aos transtornos de humor, como: depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia e transtornos por uso de substâncias. E o perfil das vítimas tem se diversificado atualmente, “a prevalência são em idosos (geralmente homens) acima de 60 anos, porém, o número de adolescente (principalmente meninas), que tentam o suicídio, está crescendo.”
Muitas famílias ainda enxergam o problema a partir da visão religiosa, afastando-se dos dados científicos, como também, cria-se a resistência em recorrer ao tratamento. Sobre isto, o especialista afirma que, “a religião pode contribuir, como também prejudicar; a depender do que se preconiza em relação ao desencorajamento do tratamento clínico.” Destaca Dr. Gabriel.

A participação familiar é deveras importante para prevenir esses casos, desta forma, a família também deve ser ouvida e acompanhada nos atendimentos. Nesse sentido, a assistente social e coordenadora do CAPS I, Núbia Ferreira, atua em conjunto com a equipe multidisciplinar, através de terapias, grupos, oficinas e palestras com o objetivo de orientar os familiares, para romper preconceitos e atitudes que contribuam com o impulso suicida.
A professora, e também vereadora, conhecida como Pró Dilza, se sensibilizou com o tema, e se colocou como aliada da campanha, desejando expandir as ações de prevenção no município, disseminando informações necessárias à população, em conjunto com a equipe técnica do CAPS I.
Como indica o lema do Setembro Amarelo, o diálogo é fundamental para suprimir as condicionalidades do suicídio, reduzindo assim as taxas de ocorrência. É um problema que pode afetar pessoas de diferentes níveis de escolaridade, classes sociais, faixa etárias e gêneros; necessitando assim, ser tratado com seriedade e profissionalismo.

Várias cidades do país estão aderindo a campanha e pontos turísticos famosos como o Cristo Redentor e o Palácio do Planalto estão iluminados em amarelo em alusão a campanha de valorização a vida. Como também cidades dentro e fora da Bahia estão realizando ações para chamara atenção da importância da discussão sobre o tema, que ainda é tabu para muitas pessoas, mas profissionais da aérea destacam que a melhor forma de combate falar sobre, em todos os lugares da sociedade.


reportagem: Roger Beltrão
Fotos: Campanha setembro amarelo google

