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Caminhada em Catu chama atenção para a fibromialgia e cobra políticas públicas e atendimento prioritário de saúde

Pacientes ocuparam as ruas do centro da cidade na manhã da última quinta-feira para dar visibilidade à síndrome, ainda pouco compreendida, e reforçar a necessidade de acolhimento, respeito e ações efetivas do poder público.

Na manhã da última quinta-feira, 11 de dezembro, o centro de Catu, no interior da Bahia, foi tomado por passos firmes, cartazes e vozes que ecoavam uma causa urgente: o reconhecimento e o cuidado com as pessoas que convivem com a fibromialgia. Pacientes, familiares e apoiadores percorreram as principais ruas da cidade em uma caminhada pacífica, com o objetivo de sensibilizar a sociedade e o poder público sobre as necessidades específicas dessa parcela da população, sobretudo no que diz respeito à criação de políticas públicas municipais e ao atendimento prioritário na saúde.

A mobilização buscou dar visibilidade a uma condição crônica que, embora não apresente sinais aparentes, provoca impactos profundos na vida de quem convive com ela. A caminhada também se tornou um espaço de escuta, acolhimento e fortalecimento coletivo, reforçando que a dor invisível precisa ser reconhecida.

SILVIA RIBEIRO/ PRESIDENTE DA AFIBS

A Presidente da Associação de Pessoas com Fibromialgia de Salvador marcou presença apoiando a a ação e destacando pontos a serem levados em conta para que políticas públicas possam ser realizadas e atinjam realmente essa parcela da população. Veja vídeo de Silvia Ribeiro aqui!

Fibromialgia: conheça os direitos garantidos pelo SUS e os desafios enfrentados por quem convive com a síndrome

Condição crônica que causa dores generalizadas, fadiga extrema e sensibilidade aumentada ainda é pouco compreendida, mas a legislação brasileira e o SUS oferecem garantias importantes para tratamento e qualidade de vida.

A fibromialgia é uma síndrome crônica caracterizada por dores musculares intensas e generalizadas, fadiga persistente, distúrbios do sono, dificuldade de concentração, sensibilidade aumentada a estímulos e, em muitos casos, sintomas emocionais como ansiedade e depressão. Mesmo sem ser uma doença visível, suas limitações são reais e afetam diretamente o trabalho, a vida social e a saúde mental dos pacientes.

No Brasil, pessoas com fibromialgia contam com direitos assegurados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e por legislações específicas, que visam garantir acesso ao tratamento e a uma vida mais digna.

Direitos das pessoas com fibromialgia no SUS

✔ Atendimento multiprofissional
O SUS garante acompanhamento com médicos, reumatologistas, fisioterapeutas, psicólogos e outros profissionais fundamentais para o manejo da síndrome.

✔ Acesso a medicamentos
Embora não exista cura, medicamentos para controle da dor e dos sintomas — como analgésicos, relaxantes musculares e antidepressivos — podem ser disponibilizados conforme prescrição médica.

✔ Fisioterapia e reabilitação
A fisioterapia é um dos pilares do tratamento e inclui exercícios terapêuticos, reabilitação funcional, hidroterapia e outras abordagens.

✔ Práticas integrativas e complementares
Terapias como acupuntura, auriculoterapia, meditação, alongamento e práticas corporais fazem parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) e estão disponíveis em diversas unidades de saúde.

Direitos garantidos por lei

Além do acesso ao SUS, pessoas com fibromialgia podem ter direito a:
• Laudos e atestados médicos para justificar faltas no trabalho ou solicitar adaptações laborais;
• Prioridade no atendimento público, quando reconhecida por legislações municipais ou estaduais;
• Solicitação de benefícios previdenciários, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez, mediante comprovação de incapacidade pelo INSS;
• Carteira de Identificação para Pessoas com Doenças Crônicas, quando prevista em lei local, facilitando o acesso aos serviços de saúde.

Os desafios invisíveis do dia a dia:

Conviver com a fibromialgia vai além da dor física. Entre os principais desafios enfrentados estão:
• Dores musculares constantes
• Fadiga extrema, mesmo após longos períodos de descanso
• Rigidez corporal ao acordar
• Hipersensibilidade ao toque, luz, ruídos e temperatura
• Déficits de memória e concentração, conhecidos como “fibrofog”
• Distúrbios do sono
• Ansiedade e depressão

Por serem sintomas muitas vezes invisíveis, a síndrome ainda é alvo de preconceito e incompreensão, o que dificulta o acesso a direitos e reforça a necessidade de informação e empatia.

Juliana Veloso- organizadora da caminhada

Vozes da caminhada: dor, resistência e luta por reconhecimento

Durante a mobilização em Catu, a organizadora do movimento Juliana Veloso, falou sobre as dificuldades enfrentadas diariamente por quem convive com a fibromialgia e a importância de um olhar mais humano e sensível para a causa. Ela destacou que a caminhada é apenas o início de novas movimentações em busca de políticas públicas efetivas no município:

“Não há palavras para explicar como é acordar todos os dias com uma dor que parece estar em cada fibra do meu corpo. A fibromialgia chegou em minha vida sem aviso prévio. Um dia eu estava vivendo normalmente, cuidando da família e do trabalho, e no outro simplesmente não conseguia levantar da cama sem sentir uma dor difusa, como se tivesse sido espremida por um gigante.”

Juliana relatou ainda que os desafios vão além da dor física.

“As dores são a parte mais visível, mas há muito mais: a fadiga que não passa, mesmo depois de dormir 12 horas; a dificuldade de concentração, a chamada ‘névoa fibromiálgica’; e a frustração de ser mal entendida, porque ninguém vê a dor. Ouvir ‘mas você parece bem’ machuca mais do que as pessoas imaginam.”

Apesar das dificuldades, ela reforça a importância da união e da esperança.

“A fibromialgia mudou a minha vida, mas não me destruiu. Eu continuo lutando todos os dias, buscando tratamentos e vivendo da melhor forma possível. Quero que as pessoas entendam: é uma doença real, e a compaixão vale mais do que qualquer julgamento.”

Mobilização que pede respeito e políticas públicas

A caminhada no centro de Catu reforçou que a fibromialgia precisa ser tratada como uma questão de saúde pública. Os participantes defendem a criação de políticas municipais que garantam atendimento prioritário, acesso facilitado a tratamentos e mais informação para profissionais de saúde e para a população em geral.

Reconhecimento, acolhimento e políticas públicas eficazes são passos essenciais para que pessoas com fibromialgia possam viver com mais dignidade, autonomia e qualidade de vida. A mobilização deixa claro: a dor pode ser invisível, mas a luta por direitos é cada vez mais visível.