Comportamento

Brasil convive com nova onda de horror — centenas de mulheres continuam vítimas de feminicídios e estupros em 2025

Levantamento recente mostra 718 feminicídios e quase 34 mil estupros em seis meses — especialistas alertam para a urgência de políticas integradas de proteção.


Um país que não cala: os números da violência contra a mulher em 2025

Dados mais recentes do Observatório da Mulher Contra a Violência (OMV), ligado ao Senado Federal, atestam a gravidade da crise de gênero no Brasil: de janeiro a junho de 2025, foram registrados 33.999 estupros contra mulheres, uma média de 187 casos por dia.
No mesmo período, foram contabilizados 718 feminicídios — o equivalente a cerca de quatro mulheres assassinadas por dia.

Especialistas advertem que estes dados são apenas a ponta de um iceberg: muitos casos não são denunciados ou registrados, o que torna provável que o número real de vítimas seja ainda maior.


Casos recentes que chocaram o país

Embora os dados consolidados sejam fundamentais para medir a dimensão do problema, muitos dos casos que ganham atenção midiática envolvem violência extrema — estupro seguido de morte, assassinatos por ex-companheiros, agressões brutais filmadas ou cometidas em espaços públicos.

Esses episódios escancaram a face cruel da violência de gênero: não se trata apenas de agressões físicas ou verbais, mas de um padrão estruturado de dominação, medo e desrespeito, frequentemente dentro de lares ou de relações íntimas. Observadores e organizações defendem que cada caso seja visto com a urgência devida, para além de estatísticas — pois por trás de cada dado há uma vida interrompida, famílias destruídas, e uma tragédia social.


Leis existem — mas impera a impunidade e a ausência de prevenção estrutural

Apesar de haver legislação e mecanismos de proteção — como ordem de restrição, medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha, canais de denúncia (como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180)) — muitos fatores dificultam seu efetivo funcionamento. Entre eles: medo da vítima, revitimização, falta de estrutura de rede de proteção, subnotificação e insuficiência de políticas de prevenção e apoio.

Para a professora de direito criminal mencionada no levantamento, Renata Furbino, não basta ter leis — é essencial compreender o contexto social, fortalecer redes de acolhimento e assegurar articulação firme entre Estado, sistema de justiça, delegacias, ministérios públicos e serviços de apoio à mulher.


Reflexão urgente: o Brasil nos dados — e nas vidas

Os números apresentados pela OMV e recentes reportagens jornalísticas são um grito contundente contra a normalização da violência de gênero no país. Cada estatística representa uma mulher que poderia continuar viva, uma vida interrompida, um futuro negado.

Enquanto políticas públicas de prevenção e apoio não forem prioridade real e permanente — com financiamento adequado, estrutura de rede, educação e mudança cultural — mulheres continuarão sendo vítimas da violência em sua forma mais brutal. É urgente que a sociedade, o Estado e cada cidadão assumam responsabilidade.

Aqui vão alguns casos recentes — de final de novembro e início de dezembro de 2025 — de mulheres vítimas de violência de gênero no Brasil, com datas, nomes e contexto. (Infelizmente, trata-se de tragédias reais.)

Casos recentes no fim de novembro / início de dezembro de 2025:

Taynara Souza Santos — no dia 29 de novembro de 2025, em São Paulo, ela foi atropelada e arrastada por cerca de 1 quilômetro por um ex-companheiro, Douglas Alves da Silva (26 anos), na zona norte da capital. O caso é investigado como tentativa de feminicídio. A vítima teve as duas pernas amputadas.

Milena de Silva Lima — em 6 de dezembro de 2025, em um apartamento em Diadema (Grande São Paulo), foi morta a golpes de faca, em um caso registrado como feminicídio seguido de suicídio do agressor, João Victor de Lima Fernandes. Ela tinha 27 anos.

Outra mulher — 38 anos — foi morta a facadas pelo marido, em 7 de dezembro de 2025, em Santo André (município da região metropolitana de São Paulo), também em contexto de feminicídio.

Isabele Gomes de Macedo — em 29 de novembro de 2025, na comunidade Nova Caxangá, zona oeste do Recife (PE), morreu junto com seus quatro filhos após a casa onde moravam ser incendiada.

O suspeito do crime é Agnaldo José Alves — companheiro da vítima e pai das crianças — que foi preso em flagrante. Testemunhas relataram que ele a agrediu antes de provocar o incêndio e trancar a casa.

Familiares informaram que Isabele vinha sofrendo violência doméstica havia tempo e que ela havia tentado se separar.