Arquiteta de Casa Flutuante une construção modular e engenharia naval em projetos de alto padrão
Com fabricação industrializada, as casas flutuantes ganham escala e passam a atender aos setores de turismo e hotelaria, em projetos voltados à experiência.
A consolidação da construção offsite no Brasil abriu espaço para novos modelos de empreendimentos que combinam arquitetura modular e engenharia naval. Entre eles estão as casas flutuantes, estruturas projetadas para permanecer sobre a água sem abrir mão de conforto, desempenho estrutural e viabilidade construtiva.
O movimento acompanha a expansão do setor no país. Levantamentos de mercado indicam que a construção industrializada brasileira deve crescer 5,9% ao ano até 2029, com potencial de alcançar R$ 89,6 bilhões. Na hotelaria e no ecoturismo, a demanda por hospedagens integradas à natureza tem ampliado o interesse por sistemas industrializados, tendência confirmada na última edição da Expo Construção Offsite, em São Paulo.
Para a arquiteta e técnica naval Isabela Arroyo, especializada em casas flutuantes, o modelo representa uma evolução natural da construção offsite, ao aplicar processos industrializados em empreendimentos de turismo, hotelaria e mercado imobiliário.
“As casas flutuantes utilizam os mesmos princípios da construção industrializada, com fabricação em ambiente controlado e maior previsibilidade na execução. A diferença é que esses projetos também precisam atender aos requisitos da engenharia naval, o que exige uma compatibilização técnica específica”, explica.
O contato de Isabela com o segmento começou em 2020, quando conheceu uma casa modular flutuante durante um projeto desenvolvido para a indústria da construção modular. A experiência a levou a aprofundar estudos sobre sistemas de flutuação, estabilidade, infraestrutura e comportamento estrutural dessas edificações.
O projeto piloto foi apresentado na maior feira brasileira dedicada à construção offsite e recebeu o Prêmio de Projeto Inovador durante o Congresso de Steel Frame, reconhecimento que ampliou o interesse do mercado pela aplicação da arquitetura modular em ambientes aquáticos.
“Não se trata de adaptar uma residência para a água. É necessário integrar arquitetura, estrutura e engenharia naval desde a concepção do projeto”, afirma.
A procura por empreendimentos diferenciados para hospedagem de curta temporada também impulsiona o mercado. Proprietários e investidores passaram a buscar imóveis capazes de oferecer uma experiência imersiva na natureza, sem abrir mão da eficiência da construção industrializada.
“A arquitetura vai além da construção do espaço físico, ela molda a experiência do usuário. Nas casas flutuantes, água e a paisagem estão conectadas ao projeto”, destaca.
Atualmente, Isabela desenvolve projetos de casas flutuantes, que contemplam arquitetura, projeto estrutural, projeto naval e a coordenação técnica necessária para a implantação desse tipo de empreendimento. Para a arquiteta, enquanto o mercado tradicional disputa terreno, a casa flutuante surge como alternativa que une experiência e rentabilidade acima da média.

