Política

Aos 21 anos, Ana Elisa é eleita deputada mais jovem de Minas e defende candidatura de Lula

Mulher negra, estudante de Direito e fenômeno nas redes sociais, petista recebeu mais de 524 mil votos e levou ao debate sua avaliação sobre os governos Lula e Dilma.

Ana Elisa Santos Silva, de 21 anos, foi eleita deputada federal por Minas Gerais nas eleições de 2026 e passou a ocupar um lugar de destaque na política nacional. Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, ela recebeu 524.219 votos, terminou como a segunda candidata mais votada do estado e se tornou a deputada federal mais jovem já eleita por Minas Gerais.

A eleição também marca a chegada de uma jovem mulher negra ao Congresso Nacional. No cadastro eleitoral, Ana Elisa aparece como preta, nasceu em 31 de agosto de 2005 e tem ensino superior incompleto. Antes de entrar na disputa eleitoral, ganhou projeção principalmente nas redes sociais, onde passou a tratar de política, racismo, feminismo, direitos sociais e temas ligados à juventude.

Apesar de ter apenas 21 anos, Ana Elisa construiu uma audiência expressiva no ambiente digital. Durante a campanha, sua presença nas redes foi um dos principais instrumentos para alcançar o eleitorado jovem. Ela também ficou conhecida por vídeos nos quais comentava e respondia a declarações de políticos de diferentes campos ideológicos.

Avaliação sobre Lula e os governos recentes

Antes da eleição, Ana Elisa participou do Podcast 3 Irmãos, em episódio publicado em 3 de setembro de 2026. Durante a conversa, a então candidata foi questionada sobre sua avaliação dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou não acreditar na existência de um político perfeito.

Na sequência, apresentou uma avaliação positiva da trajetória política de Lula e afirmou considerar que o presidente foi quem, entre os governantes brasileiros, melhor teria enfrentado o que chamou de “heranças péssimas” da história do país. Veja entrevista aqui!

Na argumentação, Ana Elisa citou o período de mais de três séculos de escravidão, os 21 anos de ditadura militar e estruturas políticas que classificou como “coronelistas”. A partir dessa leitura histórica, declarou considerar Lula o presidente que melhor conseguiu lidar com esse legado.

A fala ocorreu em um contexto de posicionamento político da candidata, que disputava a eleição pelo PT. O episódio do podcast foi publicado em setembro e integra a trajetória de exposição pública que antecedeu sua chegada à Câmara dos Deputados.

Dilma Rousseff e a interpretação sobre o impeachment

Durante a mesma conversa, Ana Elisa também comentou o impeachment de Dilma Rousseff, ocorrido em 2016.

A então candidata classificou Dilma como “a única presidente do Brasil que foi golpeada” e atribuiu ao Congresso Nacional papel determinante na queda da petista. Também apontou a misoginia como um dos elementos que, em sua avaliação, estiveram presentes naquele processo.

O impeachment de Dilma foi aprovado pelo Senado em agosto de 2016. O processo teve como fundamento acusações relacionadas à edição de decretos de abertura de créditos suplementares e às chamadas “pedaladas fiscais”. A definição do episódio como “golpe” é uma interpretação política defendida por Ana Elisa e por setores que contestam o processo, e não uma descrição consensual sobre o acontecimento.

Quem é Ana Elisa

Ana Elisa Santos Silva é filiada ao Partido dos Trabalhadores e disputou sua primeira eleição em 2026. No registro eleitoral, aparece com o número 1331, natural de Divinópolis, estudante e com superior incompleto. Sua candidatura foi deferida pela Justiça Eleitoral. (Folha de S.Paulo⁠)

Sua trajetória política foi construída em grande parte fora dos espaços tradicionais da política. Estudante de Direito, ela ganhou notoriedade na internet e chegou à campanha eleitoral com uma audiência de milhões de seguidores nas redes sociais. Antes da candidatura, também havia realizado estágio no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. (Correio Braziliense⁠)

Entre as principais bandeiras apresentadas por Ana Elisa estão o fim da escala de trabalho 6×1, fortalecimento da educação pública, direitos trabalhistas, igualdade racial, políticas para a juventude, cotas raciais e medidas voltadas ao primeiro emprego. (Rádio Itatiaia⁠)

Com a eleição, Ana Elisa assumirá o mandato em fevereiro de 2027. Sua chegada à Câmara representa também a entrada de uma parlamentar de 21 anos, com forte presença digital e atuação política voltada a temas como juventude, direitos sociais e igualdade racial.

A trajetória que começou nas redes sociais agora passa a ocupar um dos principais espaços institucionais da política brasileira.