Morre Benito di Paula, ícone do samba e da MPB, aos 84 anos
Cantor e pianista marcou gerações com sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”; informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas
O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu neste domingo (18 de outubro), aos 84 anos, em São Paulo (SP). O artista estava internado no Hospital 9 de Julho e tratava um câncer de próstata havia cerca de um ano. A morte foi confirmada pela assessoria do músico.
Com uma trajetória de mais de cinco décadas, Benito conquistou o público brasileiro ao desenvolver uma identidade musical própria, unindo o samba tradicional a melodias românticas e arranjos marcantes de piano. Seu trabalho ganhou grande projeção nas décadas de 1970 e 1980, período em que se consolidou como um dos nomes populares da Música Popular Brasileira (MPB).
“Retalhos de Cetim” e outros sucessos atravessaram gerações
Um dos grandes marcos de sua carreira foi a canção “Retalhos de Cetim”, lançada em 1973, que impulsionou sua projeção nacional e se tornou uma das músicas mais conhecidas de seu repertório.
Outros sucessos que marcaram sua trajetória incluem “Charlie Brown”, “Se Não For Amor”, “Mulher Brasileira”, “Vai Ficar na Saudade”, “Tudo Está no Seu Lugar” e “Proteção às Borboletas”. As canções ajudaram a construir uma ligação duradoura entre o artista e diferentes gerações de admiradores.
Seu estilo ficou associado ao chamado “samba-joia”, expressão utilizada para definir a mistura de samba com elementos românticos e populares. Benito, no entanto, não apreciava essa denominação, defendendo a identidade própria de sua música.
Da juventude em Nova Friburgo ao reconhecimento nacional
Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, na cidade de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito iniciou sua trajetória musical ainda jovem, apresentando-se em casas noturnas. Posteriormente, mudou-se para Santos, no litoral paulista, onde continuou a trabalhar com música até conquistar espaço no cenário nacional.
Ao longo da carreira, destacou-se não apenas pela voz característica, mas também pela presença do piano em suas apresentações, elemento que se tornou uma de suas principais marcas artísticas. Suas composições e interpretações ajudaram a aproximar o samba de outras sonoridades, incluindo influências da música romântica, do jazz e do bolero.
Mesmo após décadas de estrada, o artista permaneceu ligado à música e ao público, deixando um repertório que segue presente na memória afetiva de brasileiros de diferentes idades.
Velório e sepultamento
Até a última atualização desta matéria, não haviam sido divulgadas informações oficiais sobre a data, o horário e o local do velório e do sepultamento. A assessoria do cantor informou que os detalhes seriam comunicados posteriormente.
A morte de Benito di Paula representa a despedida de um artista que construiu uma identidade singular na música brasileira e deixou canções que atravessaram décadas, mantendo viva sua contribuição para o samba e a MPB.

