Neymar revive o “futebol raiz” após classificação do Santos na Copa do Brasil
Entre provocações, respostas e personalidade, atitude do camisa 10 diante da torcida do Remo reacende comparação com uma geração de jogadores que fazia do enfrentamento parte do espetáculo.
A classificação do Santos às quartas de final da Copa do Brasil, após a vitória por 1 a 0 sobre o Remo, na última terça-feira (4), no Estádio Mangueirão, em Belém, ficou marcada não apenas pelo gol de Rony, mas também pelo comportamento de Neymar na saída de campo.
Alvo de provocações e xingamentos durante boa parte da partida, o camisa 10 respondeu após a vitória com gritos de “eliminado!” e “aqui é Santos!”, provocando um princípio de confusão no acesso aos vestiários. O episódio terminou com empurra-empurra, grades derrubadas e troca de ofensas entre integrantes das duas delegações.
A reação de Neymar rapidamente ganhou as redes sociais e reacendeu uma discussão que acompanha sua carreira: até que ponto a personalidade provocadora e desafiadora faz parte do chamado “futebol raiz”?
Da geração de Romário a Neymar: quando a provocação também fazia parte do jogo
A expressão “futebol raiz” costuma ser associada, principalmente, a uma geração de jogadores dos anos 1990 que, além da habilidade dentro das quatro linhas, carregava uma postura considerada mais irreverente, provocadora e, muitas vezes, rebelde diante das adversidades.
Um dos principais exemplos lembrados nesse contexto é Romário, conhecido pela personalidade forte, pelas respostas afiadas e pela capacidade de transformar provocações em combustível dentro de campo. Outros nomes daquela geração também ficaram marcados por atitudes que hoje são frequentemente lembradas como símbolos de uma época em que o jogador tinha maior liberdade para confrontar adversários, torcidas e até a imprensa.
É nesse imaginário que a postura de Neymar costuma ser inserida. O camisa 10, que desde o início da carreira construiu uma imagem de jogador irreverente e provocador, voltou a protagonizar uma cena que muitos torcedores associam a esse estilo de futebol.
Depois de ser chamado de “vagabundo” pelo presidente do Remo, Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, Neymar respondeu com ironia nas redes sociais. Publicou uma fotografia em um iate acompanhada da legenda “Vagabundiando” e, posteriormente, escreveu: “Os caras me xingam, eu comemoro e eles ficam bravos”.
A cena divide opiniões, mas também revela uma transformação na maneira como esse comportamento é percebido. O que para alguns representa a personalidade e a irreverência características do “futebol raiz”, para outros ultrapassa os limites da provocação esportiva.
Dentro de campo, Neymar participou diretamente da classificação santista ao dar a assistência para Rony marcar o gol da vitória. Fora dele, sua reação diante das provocações voltou a colocá-lo no centro do debate.
No futebol atual, cada gesto é imediatamente registrado, compartilhado e comentado nas redes sociais. Ainda assim, episódios como o ocorrido no Mangueirão mostram que, apesar das mudanças no esporte, a figura do jogador provocador, que responde às adversidades e transforma o confronto em parte do espetáculo, continua presente.
E Neymar, goste-se ou não de sua postura, é um dos principais representantes contemporâneos desse estilo.

