Desembargadora reclama de cortes em benefícios e é alvo de crítica contundente na TV: “Pede para sair”, diz jornalista
Declaração sobre “regime de escravidão” na magistratura provoca reação e reacende debate sobre privilégios e remuneração no Judiciário
Uma declaração da desembargadora Eva do Amaral Coelho, integrante do Tribunal de Justiça do Pará, gerou forte repercussão nacional após a magistrada afirmar que os recentes cortes em benefícios da categoria poderiam levar juízes a um “regime de escravidão”. A fala, que surgiu em meio a discussões sobre ajustes fiscais e revisão de vantagens no serviço público, rapidamente ganhou destaque e provocou reações críticas, sobretudo no meio jornalístico.
Veja vídeo aqui!
Durante participação no Jornal da Band, o jornalista Eduardo Oinegue respondeu de forma direta às declarações da magistrada. Em tom irônico, ele questionou a insatisfação de membros do Judiciário diante dos altos rendimentos e da estabilidade da carreira. Segundo Oinegue, a desembargadora teria recebido cerca de R$ 91 mil líquidos em março, valor que ele destacou como incompatível com a ideia de dificuldades financeiras mencionada por ela.
“Ela está desapontada com a remuneração. Depois de 35 anos de carreira, recebeu ‘só’ R$ 91 mil líquidos”, afirmou o jornalista, dizendo ainda que, inicialmente, acreditou que a menção a “regime de escravidão” fosse uma piada.
Veja Vídeo!📽️
O comentário foi além da crítica pontual e ampliou o debate ao comparar a realidade da magistratura com a da iniciativa privada. Oinegue destacou que profissionais fora do serviço público não contam com benefícios como férias prolongadas, adicionais por tempo de serviço (quinquênios) e recessos, além de enfrentarem maior instabilidade financeira e competitividade no mercado.

Em tom enfático, o jornalista sugeriu que aqueles insatisfeitos com a carreira pública poderiam deixá-la: “Para entrar na magistratura, só por concurso. Agora, para sair, é só preencher uma cartinha”, disse, concluindo com a frase que viralizou nas redes sociais: “Está chateada? Pede para sair”.
A repercussão foi imediata. Nas redes sociais, o episódio dividiu opiniões: de um lado, críticas à fala da desembargadora, considerada descolada da realidade da maioria da população brasileira; de outro, manifestações em defesa da magistratura, apontando a complexidade da função e a necessidade de garantias institucionais para a independência do Judiciário.
Especialistas avaliam que o caso expõe um debate mais amplo sobre a remuneração no setor público, especialmente nas carreiras de Estado, e a percepção social sobre privilégios em contraste com desigualdades econômicas no país. A controvérsia também evidencia o papel da imprensa na amplificação dessas discussões e na cobrança por maior transparência e equilíbrio no uso de recursos públicos.

