Educação

Transporte universitário em Catu gera impasse entre estudantes e Secretaria de Educação

Alunos denunciam risco de cortes e cobram mais ônibus; gestão afirma que recadastramento busca melhorar o serviço.

O transporte universitário gratuito voltou ao centro do debate em Catu após estudantes emitirem uma nota de repúdio contra medidas adotadas pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura (SMEC). O impasse envolve questionamentos sobre possíveis cortes no benefício, superlotação dos ônibus e mudanças nos critérios de acesso para o semestre 2026.1.

Segundo os universitários, a principal preocupação gira em torno do Ofício Circular nº 003/2026, que teria gerado insegurança entre os beneficiários ao mencionar a possibilidade de suspensão do transporte. A categoria afirma que, após reivindicações por melhorias — especialmente diante da superlotação e das condições das viagens —, a resposta da gestão teria sido o endurecimento das regras.

Entre as principais pautas levantadas pelos estudantes estão:
• Ampliação imediata da frota de ônibus para atender à demanda real;
• Garantia de transporte digno, seguro e sem superlotação;
• Manutenção do benefício para todos os alunos já cadastrados;
• Transparência nos critérios de recadastramento e avaliação dos beneficiários.

Os alunos também questionam o processo de atualização cadastral, alegando que a medida pode funcionar, na prática, como um filtro para reduzir o número de usuários. Outro ponto levantado é a realização de visitas domiciliares e reanálise de documentos, interpretadas por parte dos estudantes como uma possível forma de restrição ao acesso.

Na nota, os universitários defendem que o problema central não está no número de beneficiários, mas na falta de veículos suficientes. “A superlotação se resolve com mais ônibus, não com menos alunos”, destacam. Eles também afirmam que o transporte é um direito essencial para garantir a permanência no ensino superior, sobretudo para quem se desloca diariamente para cidades como Salvador, Alagoinhas e Camaçari.

Diante do cenário, os estudantes não descartam acionar o Ministério Público da Bahia (MP-BA), caso não haja revisão das medidas.

Posicionamento da Secretaria

Em resposta, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, por meio de nota oficial, negou qualquer intenção de restringir o acesso ao transporte universitário. Segundo a pasta, o recadastramento faz parte de um procedimento já adotado anteriormente e tem como objetivo atualizar dados, compreender melhor a realidade dos estudantes e garantir maior eficiência na oferta do serviço.

A gestão ressalta que o programa é regulamentado pela Lei Municipal nº 368/2013 e assegura que todos os alunos que atenderem aos critérios continuarão tendo acesso ao benefício normalmente.

A Secretaria também afirmou que a iniciativa busca fortalecer e organizar o programa, tornando-o mais transparente e alinhado às necessidades reais dos usuários. Por fim, destacou que permanece aberta ao diálogo com a comunidade acadêmica e reafirmou o compromisso com a permanência dos estudantes no ensino técnico e superior.