“Proteína de Deus” reacende esperança e devolve movimentos a pacientes com lesão medular total
Descoberta liderada por pesquisadora brasileira já apresenta resultados promissores e beneficia primeiro paciente baiano em tratamento inovador
Uma descoberta científica brasileira está trazendo luz e esperança para pacientes que, até pouco tempo atrás, não tinham mais perspectivas de recuperação após sofrerem lesão medular completa. Trata-se de uma abordagem terapêutica inovadora baseada na polilaminina, uma proteína fundamental do sistema nervoso, que vem demonstrando capacidade de reconectar vias neurais interrompidas e restaurar funções motoras e sensoriais.
A novidade ganhou grande repercussão após a divulgação do trabalho da bióloga e pesquisadora Tatiana Coelho, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que há mais de 25 anos dedica sua carreira ao estudo da laminina, proteína essencial para o crescimento, orientação e reconexão dos neurônios.

Conhecida popularmente como “Proteína de Deus”, a laminina recebe esse nome por sua estrutura em formato de cruz, explicada pela própria pesquisadora em vídeos que viralizaram nas redes sociais e chamaram a atenção da comunidade científica e do público em geral.
Como funciona o tratamento que pode mudar o futuro de lesionados medulares
A laminina é uma proteína naturalmente presente no corpo humano, encontrada em diversos tecidos, como a placenta — membrana que envolve o bebê durante a gestação — e também em órgãos como os testículos. Em sua forma polimerizada, chamada polilaminina, ela forma uma espécie de malha biológica, composta por várias estruturas em cruz interligadas, capazes de servir como “pontes” para a regeneração neural.

Essa malha atua como um guia para que os neurônios consigam refazer caminhos interrompidos por lesões na medula espinhal, permitindo a retomada gradual de funções motoras. De acordo com estudos conduzidos ao longo das últimas décadas, a recomposição funcional pode chegar a até 75%, e em muitos casos há restauração quase total da mobilidade.

Primeiro paciente baiano já apresenta sinais de recuperação
O avanço científico já começa a se traduzir em resultados clínicos concretos. O primeiro paciente baiano a receber o tratamento foi vítima de um acidente automobilístico em dezembro de 2025. No início de 2026, ele foi submetido ao procedimento com polilaminina e, mesmo em curto período de tempo, já apresenta evolução significativa.

Segundo o médico responsável pelo acompanhamento, que compartilhou o caso em sua rede social, os sinais neurológicos observados são extremamente animadores:
“O paciente apresenta sinais neurológicos positivos, indicando que as vias da medula espinhal estão preservadas. Um dos achados mais importantes foi o reflexo cutâneo plantar em flexão nos dois pés.”
Esse reflexo é avaliado por meio da estimulação da sola do pé e indica que o cérebro e a medula espinhal estão se comunicando corretamente. Quando o dedão se curva para baixo ao estímulo, trata-se de uma resposta normal, sinalizando integridade das vias responsáveis pelos movimentos voluntários.
Para a equipe médica, esse achado, embora pareça simples, representa um marco importante no processo de recuperação neurológica, reforçando a eficácia do tratamento.

Quem é Tatiana Coelho e por que a ciência acompanha de perto essa descoberta
Tatiana Coelho é bióloga, doutora, professora universitária e pesquisadora reconhecida internacionalmente, com uma trajetória sólida no campo da neurociência e da biologia molecular. Seu trabalho com a laminina e a polilaminina é resultado de décadas de pesquisa científica rigorosa, com publicações, estudos experimentais e aplicações clínicas em andamento.
A repercussão de sua explicação sobre a “Proteína de Deus” ultrapassou as redes sociais e chegou a laboratórios, universidades e centros de pesquisa, reacendendo debates sobre a regeneração do sistema nervoso — um dos maiores desafios da medicina moderna.
Quando esse tratamento poderá chegar a todos?
Apesar dos resultados promissores, especialistas reforçam que o tratamento ainda está em fase de ampliação de estudos clínicos, seguindo protocolos científicos e exigências regulatórias. A expectativa é que, com o avanço das pesquisas, comprovação em larga escala e aprovação dos órgãos competentes, a terapia possa se tornar mais acessível nos próximos anos.
Enquanto isso, cada novo caso de recuperação representa não apenas um avanço médico, mas também uma renovação da esperança para milhares de pessoas que convivem com lesões medulares completas.
A ciência brasileira, mais uma vez, mostra sua força — e prova que, mesmo diante dos diagnósticos mais difíceis, o futuro ainda pode se mover.

