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Motoristas por aplicativo protestam em Salvador contra combustíveis e cobram redução do ICMS

Categoria denuncia preços abusivos, mas especialistas apontam que alta na Bahia está ligada à venda da Refinaria Landulpho Alves.

Motoristas e motoboys por aplicativo realizaram, na tarde desta terça-feira (24), um protesto em Salvador contra o alto preço dos combustíveis. A mobilização teve início por volta das 10h, na região da Avenida Antônio Carlos Magalhães (ACM), e também se concentrou em frente à Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA).

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Durante o ato, os manifestantes interditaram parcialmente a Ligação Iguatemi-Paralela (LIP), deixando apenas uma faixa liberada para o tráfego. Segundo a Transalvador, o trânsito ficou lento no sentido aeroporto, e motoristas foram orientados a evitar a região.

A categoria reivindica, principalmente, a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), além de maior fiscalização nos postos de combustíveis. De acordo com os organizadores, os valores praticados são considerados abusivos e têm impactado diretamente a renda de trabalhadores que dependem de veículos para sobreviver, como motoristas de aplicativo, motoboys e caminhoneiros.

“Estamos nas ruas por um motivo justo: o povo não aguenta mais pagar caro para trabalhar e sobreviver”, afirmaram representantes do movimento, destacando que a manifestação ocorreu de forma pacífica.

Atualmente, Salvador figura entre as capitais com a gasolina mais cara do país, com média de R$ 6,99, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), coletados entre os dias 15 e 21 de março. No entanto, na prática, os preços já são ainda mais elevados, chegando a R$ 7,79 em alguns postos da cidade.

Apesar da cobrança pela redução do ICMS, especialistas apontam que o principal fator para o alto custo dos combustíveis na Bahia está relacionado à venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), antiga unidade da Petrobras.

A refinaria foi privatizada em 2021, durante o governo do então presidente Jair Bolsonaro, sendo adquirida pelo fundo Mubadala Capital por US$ 1,8 bilhão — valor considerado abaixo do estimado por especialistas, que apontavam mais de US$ 3 bilhões como preço justo.

Na época, a direção da Petrobras, liderada por Joaquim Silva e Luna, afirmou que a privatização traria mais investimentos e reduziria os preços dos combustíveis. No entanto, análises de instituições como o Ineep indicam que o cenário foi o oposto.

Após a venda, a Bahia passou a registrar preços acima da média nacional. Dados da ANP mostram que, enquanto o litro da gasolina no estado chegou a R$ 7,97 em determinado período, a média nacional era de R$ 7,24.

Além disso, a negociação incluiu estruturas de logística e distribuição, o que, segundo especialistas, criou um monopólio regional. Esse cenário limita a concorrência e reduz a capacidade de intervenção do estado sobre os preços.

Outro fator que influencia os valores é o cenário internacional. Conflitos geopolíticos envolvendo países como Estados Unidos, Israel e Irã também têm pressionado o preço do petróleo no mercado global.

Diante disso, embora a redução do ICMS seja uma das principais pautas dos manifestantes, especialistas reforçam que o alto preço dos combustíveis na Bahia está diretamente ligado à privatização da refinaria, que alterou a dinâmica de mercado no estado e impacta, até hoje, o bolso da população.