Disputa pelo Governo da Bahia em 2026 acirra bastidores e expõe pensamentos estratégicos na base petista
Pesquisas mostram cenário indefinido entre Jerônimo Rodrigues e ACM Neto, enquanto articulações internas envolvem Rui Costa e Jaques Wagner na definição do rumo petista.
A corrida pelo Governo da Bahia em 2026 começa a ganhar contornos cada vez mais complexos, tanto no cenário eleitoral quanto nos bastidores políticos. A indefinição sobre a força da candidatura à reeleição do governador Jerônimo Rodrigues (PT) tem alimentado especulações dentro e fora do partido, especialmente diante de pesquisas que apontam um quadro ainda instável.
Levantamentos recentes mostram um cenário dividido. Em pesquisa da Séculus, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto aparece na liderança com cerca de 48% das intenções de voto, enquanto Jerônimo registra aproximadamente 31% . Já outro levantamento, do instituto Real Time Big Data, indica uma disputa mais apertada, com ACM Neto em torno de 44% contra 39% do atual governador .
Por outro lado, há pesquisas que apontam vantagem do grupo governista. Um estudo do Instituto TML coloca Jerônimo com mais de 52% das intenções, indicando possibilidade de vitória ainda no primeiro turno. A divergência entre os números reforça a leitura de que o cenário segue aberto e sujeito a mudanças.
Bastidores e tensões no PT
Internamente, o Partido dos Trabalhadores enfrenta um momento delicado. A avaliação de aliados é de que Jerônimo ainda não conseguiu consolidar uma liderança política forte no estado, mesmo após intensificar agendas no interior. Essa percepção tem gerado preocupação sobre a capacidade de mobilização do eleitorado.
Nos bastidores, cresce a influência de figuras históricas como Rui Costa e Jaques Wagner. Rui atualmente é visto como peça-chave nas decisões estratégicas e, segundo interlocutores, acompanha de perto o desempenho do atual governo. Já Wagner atua como articulador para manter a base unida e evitar rupturas com aliados, especialmente com o MDB.
Outro ponto de tensão envolve o vice-governador Geraldo Júnior, cuja permanência na chapa é debatida nos bastidores. Há setores que defendem mudanças na composição para fortalecer a competitividade eleitoral diante do avanço da oposição.
Impacto nacional e estratégia eleitoral
O cenário baiano também sofre influência direta da política nacional. A força eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no estado — historicamente alta — é vista como um trunfo para o PT, podendo ajudar a sustentar o projeto de continuidade no governo estadual.
Ainda assim, aliados admitem que a eleição não será automática. A estratégia do partido passa por reforçar entregas do governo, ampliar alianças e ajustar a comunicação política para reduzir rejeições e ampliar a identificação popular.
Cenário em aberto
Diante desse quadro, a disputa pelo Palácio de Ondina segue indefinida. Enquanto a oposição aposta no recall eleitoral de ACM Neto, o grupo governista trabalha para consolidar a imagem de continuidade administrativa.
Nos bastidores, uma avaliação é praticamente consensual: mais do que nomes, a eleição de 2026 na Bahia será decidida pela capacidade de articulação política e pela leitura correta do momento do eleitorado.

