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Avaliação expõe fragilidade nos cursos de Medicina e acende alerta na Bahia

Desempenho abaixo do esperado no Enamed preocupa especialistas e presidente do CREMEB afirma que situação pode ser ainda mais grave

Os resultados mais recentes do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) acenderam um sinal de alerta em todo o país ao revelar um desempenho preocupante dos cursos de Medicina. Na Bahia, o cenário é ainda mais sensível: quase metade das instituições avaliadas recebeu nota considerada insatisfatória, ficando muito aquém do nível esperado para a formação de futuros médicos.

Dos 26 cursos de Medicina avaliados no estado, 12 obtiveram nota 2, classificação que, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), indica desempenho insuficiente e pode resultar em punições às instituições, como suspensão de vagas e maior rigor na supervisão. No cenário nacional, 351 cursos foram avaliados, e cerca de 30% apresentaram resultados ruins, incluindo universidades públicas e privadas.

A repercussão dos números foi imediata e gerou forte preocupação entre entidades médicas. Para o presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (CREMEB), Otávio Marambaia, o quadro pode ser ainda mais grave do que o retratado oficialmente. Em entrevista à Rádio Metrópole, ele criticou a forma como os resultados são interpretados e alertou para a falsa sensação de qualidade.

presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia (CREMEB), Otávio Marambaia, em entrevista na rádio Metrópole

“Nós estamos considerando que quem teve nota 3 é um bom curso de Medicina. Não é”, afirmou.
“Medicina não tem meio termo: ou você é excelente, ou você não é excelente”, completou.

Segundo Marambaia, a formação médica exige padrões elevados e rigor contínuo, já que impactos diretos recaem sobre a saúde da população. Ele avalia que a expansão acelerada dos cursos, sem a estrutura adequada, compromete a qualidade do ensino e coloca em risco tanto os estudantes quanto os futuros pacientes.

A presença de uma universidade federal entre as instituições com desempenho insatisfatório também chamou atenção e ampliou o debate sobre a necessidade de revisão dos critérios de avaliação, fiscalização mais rígida e políticas públicas mais eficazes para garantir uma formação médica de excelência.

Diante desse cenário, especialistas defendem que os resultados do Enamed devem servir não apenas como diagnóstico, mas como ponto de partida para mudanças urgentes, sobretudo em estados como a Bahia, onde a carência por profissionais qualificados convive com a expansão desordenada de cursos.