Política

ACM Neto defende diversidade política nos palcos do Réveillon de Salvador após cancelamentos de shows de Jorge & Mateus no Nordeste

Ex-prefeito afirma que artistas não devem ser excluídos de eventos públicos por suas posições políticas e elogia decisão de Bruno Reis de manter Daniela Mercury e BaianaSystem na programação de 2027.

Em meio à repercussão dos cancelamentos de apresentações da dupla sertaneja Jorge & Mateus nas festas de Réveillon de Fortaleza (CE) e Recife (PE), o ex-prefeito de Salvador e vice-presidente nacional do União Brasil, ACM Neto, manifestou-se em defesa da pluralidade política e da liberdade de expressão dos artistas em eventos públicos.

Nesta quarta-feira (4), Neto afirmou que Salvador deu um exemplo de respeito à democracia ao manter Daniela Mercury e BaianaSystem entre as atrações do Festival Virada Salvador 2027, apesar dos posicionamentos políticos dos artistas. A programação foi anunciada pela gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil).

A declaração ocorre em um momento de debate sobre os limites entre posicionamento político, liberdade artística e critérios adotados pelas administrações municipais para contratar atrações com recursos destinados à realização de grandes eventos populares.

Polêmica começou após manifestação política de cantor sertanejo

A discussão ganhou força depois que o cantor Jorge, da dupla com Mateus, participou de uma manifestação de artistas sertanejos em apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Em um vídeo gravado durante o encontro, realizado em outubro, o artista declarou: “Pode chorar, mas eu não voto no PT”.

A repercussão provocou críticas nas redes sociais e mobilizações de internautas contrários à presença da dupla nas festas de fim de ano do Nordeste.

Na terça-feira (3), os prefeitos Evandro Leitão (PT), de Fortaleza, e Victor Marques (PCdoB), do Recife, anunciaram a retirada de Jorge & Mateus das respectivas programações de Réveillon. Os gestores justificaram as decisões com base na repercussão da polêmica e no entendimento de que as controvérsias estavam desviando o foco das celebrações.

No Recife, Victor Marques afirmou que não havia mais clima para a apresentação. Em Fortaleza, Evandro Leitão informou que o cancelamento foi acordado de forma legal com a produção da dupla.

ACM Neto critica utilização de critérios políticos

Ao comentar os episódios, ACM Neto questionou qual seria a repercussão caso Salvador adotasse uma postura semelhante e retirasse Daniela Mercury e BaianaSystem da programação por causa de suas posições políticas.

“Já imaginaram se Salvador decidisse cancelar os shows de Daniela Mercury e BaianaSystem no Réveillon? Seria um escândalo, né? O discurso de censura, perseguição política e intolerância certamente ganharia as manchetes”, afirmou.

O ex-prefeito também criticou a postura das administrações de Fortaleza e Recife e destacou que, na sua avaliação, a gestão soteropolitana demonstrou que divergências ideológicas não devem determinar a participação de artistas em eventos públicos.

“Mas, diferente deles, Salvador deu um exemplo de respeito à democracia anunciando esses artistas entre as atrações da festa da virada”, declarou.

Na sequência, Neto questionou a autoridade dos gestores municipais para utilizar critérios políticos na definição das atrações contratadas para eventos públicos.

“Gente, prefeito não é dono do dinheiro público! Nem do voto de quem sobe no palco. Me poupe!”, concluiu.

Debate envolve liberdade artística e gestão de recursos públicos

O episódio coloca em evidência uma discussão que ultrapassa a escolha de atrações musicais: até que ponto o posicionamento político de um artista deve influenciar sua contratação para eventos promovidos pelo poder público?

De um lado, há manifestações de pessoas que defendem o direito de questionar contratações e expressar insatisfação com artistas cujas posições políticas não representam suas convicções. De outro, há quem considere que a exclusão de profissionais da cultura por suas opiniões pode abrir espaço para práticas de intolerância e discriminação ideológica.

A manifestação de ACM Neto reforça a defesa de que eventos públicos devem contemplar diferentes estilos musicais e permitir a participação de artistas com pensamentos políticos distintos, sem que a divergência ideológica, por si só, seja utilizada como critério de exclusão.

O debate também chama atenção para a responsabilidade dos gestores na aplicação dos recursos públicos e na condução de eventos que pertencem à população, independentemente de suas preferências políticas.

Nossa redação apurou que não há confirmação de que Mateus tenha participado do ato ou declarado o mesmo posicionamento. Nesta quarta-feira (4), Jorge também publicou esclarecimento individual, negando declarações ofensivas ao Nordeste e reafirmando seu respeito à região.

Fontes para contextualização: Classe Política +3