Lula promete acabar com as bets no Brasil e sinaliza medidas contra apostas online
Presidente afirma que pretende encerrar o mercado de apostas e critica impactos sobre endividamento, vício e futebol
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na noite desta quarta-feira (23), que pretende acabar com as bets no Brasil. A declaração foi feita durante um evento com artistas realizado na Fundição Progresso, na Lapa, no Rio de Janeiro, em meio à campanha eleitoral de 2026.
“Isso não é uma guerra, é uma decisão: nós vamos acabar com as bets”, declarou Lula. O presidente também afirmou que pretende combater os efeitos da dependência em apostas e defendeu novas medidas de regulamentação das plataformas digitais.
A declaração ocorre após Lula já ter defendido, em discursos realizados nos últimos dias, medidas mais duras contra as plataformas de apostas. Em 18 de setembro, durante agenda em Guarulhos (SP), o presidente afirmou que pretendia acabar com as bets e relacionou o crescimento das apostas ao endividamento e à dependência.
Governo avalia proibição de bets e cassinos online
Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, a equipe do governo avalia a possibilidade de uma medida provisória (MP) com regras mais rígidas ou até mesmo a proibição das apostas esportivas e dos chamados cassinos online, como plataformas associadas ao “Jogo do Tigrinho”. A decisão final e o formato da medida ainda dependem de definição do governo e da análise do Congresso Nacional.
O debate ocorre em um momento em que o mercado de apostas já possui regulamentação no país. Em 2023, durante o atual governo, foi sancionada a Lei nº 14.790, que estabeleceu regras para as apostas de quota fixa e incluiu os jogos online no mercado regulado.
Em julho deste ano, o próprio governo federal ampliou as exigências para a publicidade das bets. Entre as novas regras estão advertências obrigatórias sobre os riscos das apostas, como a possibilidade de dependência e perda de dinheiro. Naquele momento, o Ministério da Fazenda informou que havia 85 empresas autorizadas a operar no mercado regulado.
Clubes de futebol contestam possibilidade de proibição
A possibilidade de encerramento do mercado também provocou reação de clubes brasileiros. Equipes afirmam que as empresas autorizadas de apostas se tornaram importantes fontes de patrocínio para o futebol e defendem a manutenção de um mercado regulamentado.
Lula, porém, rejeitou o argumento de que o futebol brasileiro dependeria financeiramente das bets. Durante o evento no Rio, afirmou que os clubes precisam buscar outras formas de financiamento e questionou a relação entre as apostas e os torcedores.
A discussão, portanto, envolve não apenas a questão das apostas, mas também publicidade, arrecadação, patrocínios esportivos, proteção financeira dos consumidores e combate à dependência em jogos.
Tema ganha espaço no debate eleitoral
A discussão sobre as bets também passou a ocupar espaço relevante na campanha eleitoral de 2026. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada em 23 de setembro apontou que 75% dos entrevistados disseram ser favoráveis à proibição das apostas online, enquanto 17% discordaram e 8% não concordaram nem discordaram. A pesquisa ouviu 5.015 pessoas entre 17 e 22 de setembro, com margem de erro de um ponto percentual.
Apesar da promessa presidencial, uma eventual extinção das bets não ocorre automaticamente a partir da declaração. O governo ainda precisa definir o instrumento jurídico a ser utilizado, enquanto eventuais mudanças no marco legal poderão depender da apreciação do Congresso Nacional.
O tema deve continuar gerando debates entre governo, empresas, clubes de futebol, especialistas, parlamentares e usuários das plataformas de apostas.

