Baiano Isaquias Queiroz conquista novo ouro, faz história e reafirma sua força na canoagem mundial
Aos 32 anos, atleta de Ubaitaba supera adversidades, chega ao oitavo título mundial e alcança 15 medalhas em Mundiais; conquista também reforça preparação para Los Angeles 2028.
O baiano Isaquias Queiroz voltou ao topo do mundo neste sábado (29) e escreveu mais um capítulo histórico em uma das carreiras mais vitoriosas do esporte brasileiro. Natural de Ubaitaba, no sul da Bahia, o canoísta conquistou a medalha de ouro no C1 500m do Campeonato Mundial de Canoagem Velocidade, disputado em Poznań, na Polônia.
Isaquias cruzou a linha de chegada em 1min46s08, superando o tcheco Martin Fuksa, que ficou com a prata, e o chinês Bowen Ji, medalhista de bronze. O brasileiro não era apontado como favorito absoluto, mas manteve-se entre os líderes durante a prova e retomou a ponta nos metros finais para garantir mais um título mundial.
A vitória tem um peso ainda maior pela capacidade de reação demonstrada pelo atleta. Um dia antes, Isaquias havia terminado na última colocação do C1 1000m. Em vez de deixar o resultado abalar sua preparação, voltou às águas e respondeu com uma atuação de campeão.
“Vida de atleta é assim. Às vezes, um ano está bem, outro ano está mal… Um dia ruim, uma semana ruim, um ano ruim, não quer dizer que sou ruim”, afirmou Isaquias após a conquista.
Oito ouros e 15 medalhas em Mundiais
Com o resultado, o baiano chegou a 15 medalhas em Campeonatos Mundiais: oito ouros, uma prata e seis bronzes. O título deste sábado também marcou sua quinta conquista mundial no C1 500m, prova em que já havia sido campeão em 2013, 2014, 2018 e 2022.
Além dos cinco títulos no C1 500m, Isaquias já havia conquistado o Mundial no C2 500m, em 2018; no C2 1000m, em 2015; e no C1 1000m, em 2019. A nova medalha reforça a dimensão de uma trajetória construída ao longo de mais de uma década entre os principais nomes da canoagem internacional.
De Ubaitaba para a história do esporte brasileiro
A trajetória de Isaquias é marcada não apenas por medalhas, mas também por superação. Ainda criança, em Ubaitaba, enfrentou graves dificuldades, incluindo queimaduras e um acidente que provocou a perda de um dos rins. Foi por meio de um projeto social de canoagem no Rio das Contas que encontrou no esporte o caminho para transformar sua vida.
O talento apareceu cedo. Aos 14 anos, disputou os Jogos Olímpicos da Juventude e, aos 15, tornou-se campeão mundial júnior. Anos depois, chegou aos Jogos Olímpicos Rio 2016 e conquistou três medalhas — feito que o transformou no brasileiro com maior número de medalhas em uma única edição dos Jogos até então.
Em Tóquio 2020, veio o tão esperado ouro olímpico, no C1 1000m. Em Paris 2024, mesmo depois de um ciclo marcado por dificuldades e pela ausência em boa parte da temporada de 2023, Isaquias voltou ao pódio e conquistou a prata no C1 1000m. Com isso, chegou a cinco medalhas olímpicas.
Um campeão que ainda olha para o futuro
Aos 32 anos, Isaquias não trata a nova medalha apenas como mais um troféu. O resultado em Poznań também faz parte da preparação para o próximo grande objetivo: os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028.
O Mundial é importante na corrida por pontos do novo sistema de classificação olímpica, e o desempenho no C1 500m contribui para esse processo. Por isso, o atleta tem administrado sua participação nas provas e o desgaste físico, pensando em chegar ao próximo ciclo olímpico nas melhores condições.
“Feliz com a medalha de ouro. O objetivo maior daqui era somar pontuação para os Jogos Olímpicos Los Angeles-2028. Mas, logicamente, estou feliz com a medalha”, declarou.
Aos poucos, Isaquias vai transformando cada competição em mais uma página de uma história que já ultrapassou as fronteiras da Bahia. De um projeto social às margens do Rio das Contas, em Ubaitaba, ao topo do pódio mundial, o baiano segue remando contra o tempo, contra as dificuldades e contra qualquer expectativa de que sua história já tenha chegado ao fim.
O ouro conquistado neste sábado mostra justamente o contrário: Isaquias Queiroz ainda tem força para fazer história.

