Política

De Catu para a disputa federal: Clara Sena retoma trajetória política e coloca representação feminina e desenvolvimento regional no centro da candidatura

Ex-vereadora por dois mandatos, com atuação social e experiência no Legislativo, Clara Sena apresenta candidatura à Câmara Federal como continuidade de uma história construída em Catu.

A relação de Clara Sena com Catu começou antes mesmo de sua entrada na vida pública. Foi no município que seus pais construíram a família após o casamento, onde ela cresceu, estabeleceu vínculos e criou raízes que, segundo a própria candidata, continuam sendo uma das principais referências de sua trajetória.

Agora, oficialmente candidata a deputada federal, Clara busca transformar essa ligação com Catu em uma candidatura de alcance regional e estadual, levando para o debate nacional pautas que, segundo ela, fazem parte das necessidades do município, do interior e da Bahia.
Sua história política, entretanto, começou muito antes da atual disputa.

Da atuação social ao Legislativo municipal

Antes de concorrer a um cargo eletivo, Clara atuou como assessora parlamentar na Assembleia Legislativa da Bahia, experiência que, de acordo com seu relato, permitiu acompanhar de perto o funcionamento do Poder Legislativo, a articulação política e a busca por recursos para os municípios.

Paralelamente, desenvolveu atividades sociais em Catu e fundou a Associação Amigos de Catu, por meio da qual participou de iniciativas voltadas à população.

Entre as ações citadas por Clara estão cursos de capacitação profissional, inclusive nas áreas de petróleo e gás, com atenção especialmente voltada à preparação de jovens para o mercado de trabalho.

Foi nesse contato direto com a comunidade que, segundo ela, amadureceu a decisão de disputar uma eleição.


Aos 25 anos, Clara chegou à Câmara de Catu pelo PV


A primeira disputa eleitoral ocorreu em 2012. Naquele ano, Clara Sena Andrade Grapiúna foi eleita vereadora de Catu pelo Partido Verde (PV), com 531 votos, segundo dados oficiais divulgados pela Assembleia Legislativa da Bahia com base em informações do Tribunal Superior Eleitoral.


Aos 25 anos, passou a ocupar uma cadeira no Legislativo municipal e, conforme relata, tornou-se a mulher mais jovem a exercer o mandato de vereadora na Câmara de Catu naquele período.

A experiência no Legislativo municipal se estendeu por dois mandatos, período em que Clara afirma ter concentrado parte de sua atuação em demandas apresentadas diretamente pelas comunidades.

Entre as ações que destaca estão a implantação de uma torre de telefonia móvel, a perfuração de poços artesianos e a disponibilização de tratores para comunidades rurais. Também estiveram entre suas pautas a solicitação para a implantação do Conselho da Mulher, apresentada durante seu primeiro mandato, quando era a única mulher na Câmara, e a sugestão para a criação da Secretaria da Mulher no município.

Para a ex-vereadora, a experiência mostrou que demandas aparentemente simples podem produzir impactos concretos na vida cotidiana de uma população, especialmente em áreas rurais e comunidades que enfrentam dificuldades de acesso a serviços básicos.

Uma trajetória que pretende levar de Catu para Brasília

Depois de deixar o mandato, Clara afirma que não se afastou da atuação social e do contato com a população. Segundo ela, continuou participando de atividades e acompanhando demandas do município.

É nesse ponto que a atual candidatura se apresenta, em seu discurso, como uma continuidade de sua trajetória.
Entre os objetivos apresentados está a busca por ampliar a representação política de Catu em Brasília.

Clara defende que municípios que participam da geração de riquezas para a Bahia e para o país precisam estar presentes nas discussões sobre investimentos, infraestrutura e distribuição de recursos.

A proposta, segundo a candidata, é fazer com que Catu e outros municípios do interior tenham maior capacidade de reivindicar investimentos federais.

Mulher, juventude e geração de emprego e renda estão entre os pilares da candidatura

Na candidatura à Câmara Federal, Clara apresenta três pilares como centro de sua atuação: a defesa das mulheres, a juventude e a geração de emprego e renda.

Na pauta voltada às mulheres, a candidata defende políticas de proteção, enfrentamento à violência, qualificação profissional, empreendedorismo e autonomia financeira.

Para a juventude, a proposta passa pela ampliação de oportunidades, qualificação e criação de caminhos para que os jovens possam ingressar no mercado de trabalho e desenvolver seus próprios projetos.

Já na geração de emprego e renda, Clara destaca a necessidade de criar oportunidades, fortalecer o empreendedorismo e ampliar as possibilidades de desenvolvimento econômico para Catu, para a região e para a Bahia.

Esses três eixos, segundo a candidata, concentram as principais bandeiras apresentadas durante a campanha e orientam a proposta de um mandato voltado para resultados concretos e para a ampliação das oportunidades para a população.

Mulheres são maioria entre os eleitores, mas ainda enfrentam sub-representação política
A pauta da representação feminina ganha espaço dentro da candidatura de Clara.

Os números oficiais do Tribunal Superior Eleitoral ajudam a dimensionar o tamanho desse eleitorado. Nas Eleições 2026, as mulheres representam 52,84% do eleitorado brasileiro, com 83.877.126 eleitoras, enquanto os homens são 74.845.001, correspondendo a 47,16%.

O próprio TSE mantém uma base atualizada de estatísticas do eleitorado, com informações extraídas do Cadastro Nacional de Eleitores e consolidadas periodicamente.

A maioria numérica das mulheres, entretanto, não significa automaticamente uma presença proporcional nos espaços de poder. Essa diferença entre participação eleitoral e representação política é um dos elementos que sustentam o debate sobre a necessidade de ampliar a presença feminina nas instituições.

Em reportagem anteriormente publicada pelo Catu Acontece, o tema da baixa representação feminina também foi abordado a partir da discussão sobre a presença de mulheres em posições de liderança. Dados do TSE referentes às eleições de 2024 mostraram que as mulheres eram 52,47% do eleitorado brasileiro, mas representaram 15,28% dos prefeitos eleitos e 35,40% dos vereadores eleitos.

Nesse cenário, a candidatura de Clara coloca a representatividade feminina como uma de suas pautas. Ela afirma defender políticas de proteção às mulheres, combate à violência, qualificação profissional, empreendedorismo e autonomia financeira.

A candidata também relata ter enfrentado episódios de violência política durante sua trajetória e sustenta que a ocupação de espaços de poder por mulheres ainda pode provocar resistência e ataques.

Jornalismo e política

A experiência jornalística de Clara ela pretende transformar em transparência e objetividade durante seu mandato.

Segundo Clara, a atividade profissional contribuiu para desenvolver uma relação mais próxima com a informação, a apuração e a necessidade de ouvir diferentes versões antes de apresentar um fato.

Na política, afirma pretender aplicar esses princípios na defesa da transparência dos recursos públicos e na prestação de contas à população.

Entre as propostas apresentadas está a construção de um mandato participativo, com presença nos municípios, canais de diálogo e divulgação de projetos, recursos destinados e resultados alcançados.

Catu como ponto de partida de um projeto maior

Ao falar sobre o futuro, Clara coloca Catu como um dos principais pontos de referência de sua candidatura.

A ex-vereadora afirma ter como objetivo tornar-se a primeira deputada federal de Catu, caso consiga conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Mais do que o marco histórico, porém, sua proposta, segundo declara, é utilizar um eventual mandato para buscar investimentos e oportunidades para o município, para a região e para outras cidades baianas.


Sua trajetória reúne diferentes experiências: atuação social, dois mandatos como vereadora, passagem pela Assembleia Legislativa como assessora parlamentar e experiência no jornalismo.

Agora, ao disputar uma vaga na Câmara Federal, Clara Sena apresenta essa experiência como base para um projeto político que pretende ampliar a atuação para além dos limites de Catu, mantendo o município como uma de suas principais referências, não à toa o mote da sua campanha é “Catu precisa ter voz” enfatizando a necessidade de representação nacional do município e região do Agreste Baiano para avanço das principais bandeiras defendidas pela candidata.