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Projeto de lei quer limitar Seleção Brasileira a jogadores que atuam no país e proibir técnico estrangeiro

Proposta também veta patrocínio de casas de apostas no futebol e pode impedir convocações de atletas que jogam no exterior, além de atingir o trabalho de Carlo Ancelotti.

Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe mudanças profundas na formação das seleções brasileiras de futebol. A proposta determina que apenas atletas brasileiros registrados em clubes sediados no Brasil e participantes de competições oficiais nacionais possam ser convocados para representar o país nas categorias masculina, feminina e de base.

Na prática, caso a medida seja aprovada, jogadores que atuam no exterior deixariam de ser elegíveis para defender a Seleção Brasileira. A mudança afetaria diretamente boa parte dos principais nomes do futebol nacional, que atualmente jogam em grandes clubes da Europa e de outros continentes.

O texto também estabelece que toda a comissão técnica seja composta exclusivamente por brasileiros com vínculo profissional com clubes ou entidades esportivas do país. A exigência alcança treinador, auxiliares, preparadores físicos e demais integrantes da comissão técnica.

Se a proposta estivesse em vigor hoje, o italiano Carlo Ancelotti não poderia ocupar o cargo de treinador da Seleção Brasileira. O técnico europeu foi contratado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e possui contrato válido até a Copa do Mundo de 2030.

Outro ponto que chama atenção é a proibição de patrocínios de casas de apostas esportivas — as chamadas “bets” — para clubes e demais entidades esportivas. A medida vai na contramão do cenário atual do futebol brasileiro, onde grande parte das equipes da Série A e diversas competições nacionais possuem contratos de patrocínio com empresas do setor.

A proposta ainda está no início da tramitação na Câmara dos Deputados e precisará passar pelas comissões temáticas antes de ser votada pelos parlamentares. Se aprovada pelos deputados, seguirá para análise do Senado Federal e, posteriormente, dependerá da sanção ou veto do presidente da República para entrar em vigor.

A discussão promete dividir opiniões entre parlamentares, dirigentes esportivos, torcedores e especialistas. Enquanto defensores argumentam que a medida pode fortalecer o futebol nacional e valorizar os campeonatos brasileiros, críticos apontam que a restrição reduziria significativamente o universo de atletas disponíveis para a Seleção e poderia gerar questionamentos sobre a compatibilidade da proposta com normas da FIFA e com a autonomia da CBF.