Educação

Brasil terá primeira Universidade Federal Indígena da história; instituição será sediada em Brasília

Nova universidade busca fortalecer os povos originários, valorizar seus saberes e ampliar a produção de conhecimento científico voltado às comunidades indígenas.

O Governo Federal sancionou a lei que cria a Universidade Federal Indígena (UNIND), a primeira instituição federal de ensino superior do Brasil voltada especificamente para os povos indígenas. A medida foi publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (29) e está sendo considerada um marco histórico na valorização dos povos originários do país.

A criação da universidade representa um importante passo no reconhecimento dos direitos indígenas e na reparação de uma dívida histórica acumulada ao longo de mais de cinco séculos. A proposta busca unir conhecimentos tradicionais e acadêmicos, fortalecendo a identidade cultural e a autonomia das comunidades indígenas brasileiras.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 1.693.535 pessoas indígenas distribuídas em 391 povos ou etnias. Apesar dessa diversidade e representatividade, esta será a primeira universidade federal criada com foco na formação de profissionais e na produção de conhecimentos científicos e técnicos voltados às necessidades específicas dessas populações.

A sede da UNIND ficará em Brasília, mas a instituição terá uma estrutura multicêntrica, com campi espalhados por diferentes regiões do país. A proposta é respeitar as particularidades territoriais, culturais e linguísticas dos diversos povos indígenas brasileiros.

Outro diferencial da nova universidade é que os cargos de Reitor e Vice-Reitor deverão ser ocupados obrigatoriamente por pessoas indígenas, garantindo protagonismo na gestão da instituição. Além disso, os cargos de professores e técnicos-administrativos serão criados por legislação específica.

Na Bahia, a novidade também tem grande relevância. Segundo o último censo, 191.950 pessoas se autodeclararam indígenas no estado, que abriga pelo menos 14 povos originários em seu território. A expectativa é que a nova universidade contribua para ampliar o acesso à educação superior, à pesquisa e à valorização das culturas indígenas baianas e brasileiras.

Especialistas e lideranças indígenas avaliam a criação da UNIND como um avanço importante para a preservação dos conhecimentos ancestrais, o fortalecimento das comunidades e a construção de políticas públicas mais alinhadas à realidade dos povos originários do Brasil.

Foto:  FABIO RODRIGUES-POZZEBOM