Comportamento

Helena Raquel: a voz que rompeu o silêncio sobre violência contra mulheres dentro das igrejas

Pregação nos Gideões Missionários viralizou no Brasil ao denunciar agressões, feminicídios e a omissão de líderes religiosos diante de casos de violência doméstica.

A pastora Helena Raquel se tornou um dos nomes mais comentados do país nos últimos dias após uma pregação impactante durante o Congresso Gideões Missionários da Última Hora, realizado em Camboriú, Santa Catarina. O discurso, compartilhado milhões de vezes nas redes sociais, repercutiu em grandes veículos de imprensa e abriu um intenso debate nacional sobre violência doméstica, feminicídio e abuso sexual dentro de ambientes religiosos.

Durante a ministração intitulada “Quebrando o Silêncio”, Helena fez críticas diretas à cultura de omissão que, segundo ela, ainda existe em algumas igrejas evangélicas quando mulheres denunciam agressões cometidas pelos próprios maridos. A pastora afirmou que muitas vítimas são aconselhadas apenas a “orar” e permanecer em relacionamentos abusivos, sem buscar ajuda policial ou judicial. 

Entre as frases mais fortes da pregação, algumas rapidamente viralizaram:

“Pare de orar por ele hoje e comece a orar por você.”

“Quem agride, mata.”

“A igreja não pode ser esconderijo de agressor.”

“Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro.”

As declarações provocaram apoio de diversos setores da sociedade, inclusive de figuras políticas de diferentes espectros ideológicos, além de líderes religiosos e movimentos de defesa das mulheres.

Carioca, com 47 anos, Helena Raquel atua há décadas no magistério cristão e é uma das líderes da Assembleia de Deus Vida na Palavra, no Rio de Janeiro. Casada com o pastor Eleomar Dionel e mãe de Maria Clara, ela participa do congresso Gideões desde 2012 e passou a ministrar oficialmente no evento a partir de 2019. Além do trabalho pastoral, também é escritora e professora. 

A repercussão da fala ganhou ainda mais força porque acontece em um momento alarmante no Brasil em relação à violência contra a mulher. Dados recentes do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam crescimento nos registros de agressões, ameaças e feminicídios em todo o país. Somente em 2025, milhares de medidas protetivas de urgência já foram concedidas pela Justiça brasileira, refletindo o aumento das denúncias e da busca por proteção legal. Especialistas também alertam para a enorme subnotificação desses crimes, já que muitas vítimas ainda têm medo de denunciar os agressores. 

O Brasil segue entre os países com altos índices de violência doméstica e feminicídio. Levantamentos recentes mostram que boa parte das agressões ocorre dentro do ambiente familiar e, muitas vezes, é praticada por companheiros ou ex-companheiros das vítimas. Pesquisas também apontam que fatores culturais e religiosos podem contribuir para o silêncio e a permanência de mulheres em relações abusivas. 

Na pregação, Helena Raquel também denunciou casos de abuso infantil e pedofilia dentro de ambientes religiosos, afirmando que a proteção à imagem institucional jamais deve ser colocada acima da segurança das vítimas. A postura firme da pastora dividiu opiniões entre líderes evangélicos, mas também foi amplamente elogiada por internautas que consideraram sua fala um marco de coragem dentro do cenário religioso brasileiro. 

Nas redes sociais, vídeos da pregação ultrapassaram milhões de visualizações em poucas horas e transformaram Helena Raquel em um dos assuntos mais comentados do país. Para muitos, a pastora conseguiu romper um tabu histórico ao levar para o púlpito um debate urgente sobre violência contra mulheres e a responsabilidade das igrejas diante desses casos.