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Elaine Martins quebra o silêncio após polêmica com igreja e confirma pré-candidatura a deputada estadual no Rio de Janeiro

Cantora gospel foi retirada da Marcha para Jesus Rio 2026, proibida de cantar na ADVEC e afirma que pretende lutar contra a violência contra a mulher, especialmente dentro do meio evangélico.

A cantora gospel Elaine Martins decidiu se manifestar publicamente em seu Instagram pessoal após se tornar o centro de uma das maiores polêmicas do meio evangélico neste mês de abril de 2026. A artista anunciou sua pré-candidatura a deputada estadual pelo Rio de Janeiro, após receber convite do partido Solidariedade, e acabou enfrentando fortes reações dentro da Assembleia de Deus Vitória em Cristo (ADVEC), ligada ao pastor Silas Malafaia.

O anúncio provocou conflitos diretos com lideranças da denominação e trouxe consequências imediatas para a cantora. Segundo informações que circulam no meio gospel, Elaine foi proibida de se apresentar nos altares da ADVEC, já que a regra interna estabelece que membros que decidem ingressar na disputa política sem alinhamento com a liderança não podem continuar exercendo funções ministeriais, incluindo o louvor durante os cultos.

Além disso, a artista também foi retirada do cartaz oficial da Marcha para Jesus Rio 2026, evento organizado pelo vereador Alexandre Isquierdo, conhecido aliado de Malafaia. A exclusão aumentou ainda mais a repercussão do caso nas redes sociais, onde internautas passaram a debater a influência de lideranças religiosas sobre artistas gospel e o uso de plataformas religiosas em articulações políticas.

Após o veto e o desgaste com a ADVEC, Elaine Martins deixou oficialmente a igreja e retornou à Assembleia de Deus Ministério de Madureira, onde foi recebida pelo bispo Abner Ferreira. O retorno foi visto por muitos como um movimento estratégico e também espiritual, já que a cantora possui uma longa história dentro da tradição assembleiana.

Em seu posicionamento nas redes sociais, Elaine confirmou que sua pré-candidatura está mantida e explicou que pretende levar como uma de suas principais pautas o combate à violência contra a mulher, especialmente dentro do ambiente evangélico, onde afirma existir uma realidade muitas vezes silenciada.

Especialistas e estudiosos das relações entre religião e violência doméstica apontam que ainda há altos índices de mulheres vítimas de agressão dentro de contextos religiosos conservadores, inclusive no meio evangélico, onde muitas vezes o medo, a dependência emocional e o chamado “pacto de silêncio” dificultam denúncias e rompimentos. É justamente contra essa cultura de silêncio que Elaine parece estar buscando se posicionar, utilizando sua influência para levantar uma pauta considerada sensível e urgente.

A repercussão de sua decisão dividiu opiniões: enquanto parte do público apoia sua coragem e independência, outra parcela questiona a mistura entre ministério e política partidária. Ainda assim, a cantora demonstra firmeza ao afirmar que seu propósito vai além da música e envolve também transformação social.

Com uma trajetória consolidada no gospel nacional, Elaine Martins é conhecida por sucessos marcantes como “Volte a Sonhar”, “Santificação” e “Rompendo”, além de um forte trabalho evangelístico realizado em presídios, ações sociais e ministrações em comunidades carentes. Sua atuação sempre esteve ligada ao acolhimento de mulheres, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ao longo dos anos, Elaine construiu uma carreira respeitada no segmento pentecostal, tornando-se uma das vozes mais reconhecidas da música cristã contemporânea. Agora, sua entrada no cenário político amplia ainda mais sua visibilidade e reforça o debate sobre fé, poder e representatividade feminina dentro das igrejas e da sociedade.