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Suely Temporal: a jornalista que antecipou o futuro da comunicação e fez história na imprensa baiana

Primeira mulher a presidir a ABI em 95 anos, profissional construiu uma trajetória marcada pela credibilidade, pioneirismo e compromisso com o jornalismo ético.

Por Donaire Verçosa


No mês em que se celebra o Dia do Jornalista, comemorado em 7 de abril, a trajetória de Suely Temporal ganha ainda mais relevância. Reconhecida pela competência, rigor na apuração e visão à frente do seu tempo, ela construiu uma carreira sólida e se tornou símbolo de transformação na comunicação baiana — culminando com um marco histórico: a primeira mulher a presidir a Associação Bahiana de Imprensa em 95 anos de existência.

Arquivo pessoal


Raízes, formação e vocação precoce


Nascida como Suely Maria Temporal Soares, filha de Nancy Luz Temporal Soares e Antônio Clementino Contreiras Soares, Suely tem raízes familiares em Salvador, embora seus avós paternos sejam oriundos do Recôncavo Baiano.


Desde cedo, demonstrava inclinação para o jornalismo. Ainda na infância, já cultivava o hábito da leitura, da escrita e da curiosidade — características que a levaram, naturalmente, à profissão. “No colégio, eu era aquela pessoa que fazia o jornalzinho da sala”, relembra.

Arquivo pessoal de Suely entrevistando Milton


A escolha se concretizou na Universidade Federal da Bahia, onde ingressou em 1980 e se formou em 1986, consolidando a base acadêmica para uma carreira que se destacaria pela seriedade e compromisso com a informação.


Trajetória profissional e construção de credibilidade
Suely iniciou sua carreira na televisão, como repórter da TV Itapoan, afiliada ao SBT à época. Em seguida, migrou para o jornalismo impresso, com passagens pelo Jornal da Bahia e pelo Correio, além de atuar no departamento de jornalismo da Band e na rádio Itaparica FM.

Arquivo Pessoal


Paralelamente, começou a trilhar um caminho que, anos depois, se mostraria visionário: a assessoria de imprensa. Criou então uma Agência, hoje com nome. ATcom Comunicação Corporativa, em um período em que o mercado ainda engatinhava, Suely já atuava como freelancer para diversas empresas, acumulando experiência e ampliando sua visão estratégica da comunicação.


Antes de empreender, passou por importantes instituições, como o Sindiquímica, a Câmara Municipal de Salvador e a Assembleia Legislativa da Bahia, sempre consolidando sua reputação de profissional ética e competente.


Pioneirismo na assessoria e visão de futuro


Muito antes de se falar amplamente em agências estruturadas de assessoria de comunicação, Suely já enxergava o potencial desse segmento. A decisão de abrir sua própria empresa surgiu de forma natural, após anos de experiência e do encontro com sua sócia e amiga Cinthya Medeiros.

Arquivo pessoal


O resultado é uma parceria que atravessa quase três décadas de sociedade e quase 40 anos de amizade — um reflexo não apenas de competência profissional, mas de consistência e confiança.


Esse movimento empreendedor posicionou Suely como uma das precursoras da assessoria de imprensa na Bahia, reforçando seu perfil de profissional à frente do seu tempo.


O marco histórico na ABI


A entrada de Suely na ABI ocorreu a convite do então presidente Ernesto Marques, inicialmente como integrante do Conselho Fiscal. Depois, assumiu a vice-presidência até alcançar o posto mais alto da instituição.


Sua eleição à presidência não foi apenas uma conquista pessoal — foi um marco histórico. Pela primeira vez em 95 anos, uma mulher assumiu o comando da entidade, rompendo padrões e ampliando o protagonismo feminino na comunicação baiana.


A decisão de concorrer surgiu a partir do incentivo de outras mulheres da diretoria, que enxergavam naquele momento a oportunidade de mudança e representatividade.


Desafios e o papel estratégico da ABI


À frente da ABI, Suely enfrenta desafios significativos, especialmente na área financeira, com questões relacionadas à defasagem de receitas provenientes de aluguéis institucionais.


Ainda assim, sua gestão reforça o papel estratégico da entidade em um cenário de profundas transformações no jornalismo.
Fundada em 1930, a ABI sempre foi um símbolo de resistência e defesa da liberdade de imprensa. Hoje, amplia sua atuação para enfrentar novos desafios, como:


o combate à desinformação,a valorização da credibilidade jornalística,
a formação e atualização profissional,
e a defesa das condições de trabalho dos jornalistas.
Mais do que nunca, a entidade se posiciona como guardiã da ética e da qualidade da informação.


Por que e como se associar à ABI


Em tempos de excesso de informação e انتشار de conteúdos sem apuração, associar-se à ABI é, segundo Suely, um posicionamento profissional.
“Estar na ABI é estar do lado da credibilidade, da ética e da defesa da democracia”, destaca.
O processo de filiação é simples:
acessar o site oficial da entidade, preencher o formulário disponível, anexar os documentos solicitados, e aguardar a análise da comissão e aprovação da diretoria.


Mais do que uma formalidade, trata-se de integrar uma rede comprometida com o fortalecimento do jornalismo.


Um olhar crítico sobre o presente


Suely também faz uma análise contundente sobre o cenário atual da comunicação, marcado pela proliferação de fake news e pela produção de conteúdo sem critérios técnicos.
Para ela, a tecnologia democratizou a informação, mas também trouxe riscos. A ausência de apuração e de formação adequada pode comprometer a qualidade do conteúdo e confundir o público.
Nesse contexto, o jornalismo profissional se torna ainda mais essencial.

Suely Temporal


Legado e mensagem às novas gerações


Ao refletir sobre a profissão, Suely reforça a importância da resistência e da ética em tempos desafiadores.


“Ser jornalista é exercer, todos os dias, o compromisso com a verdade e o interesse público”, afirma.


Sua trajetória inspira não apenas pela competência, mas pela coragem de inovar, ocupar espaços e abrir caminhos para outras mulheres na comunicação.
A frase que a representa sintetiza essa visão:
“A dor da gente não sai no jornal.” — inspirada na obra de Chico Buarque, ela traduz o esforço silencioso de quem dedica a vida a informar com responsabilidade.

A jornalista Suely Temporal entregou para a jornalista Donaire Verçosa, um guia antifeminicídio para combate a violência contra mulher.


Um nome que marca gerações


A história de Suely Temporal é, acima de tudo, a prova de que o jornalismo se constrói com coragem, ética e visão de futuro.


Em um cenário em constante transformação, seu legado permanece como referência — não apenas pelo que fez, mas pelo caminho que abriu para que outros possam seguir.