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História de superação marca abertura do Fórum Pensar Mulher

Trajetória de Neusa Nunes evidencia impacto da violência doméstica e importância da rede de proteção.

O Fórum Pensar Mulher inicia com um relato que sintetiza o impacto da violência doméstica e a importância das redes de apoio. Vítima de agressões durante mais de duas décadas, Neusa Nunes compartilha a própria trajetória diante do público e destaca como o acolhimento institucional transforma o rumo da vida.

Ela afirma que convive com diferentes formas de violência desde a infância. Aos nove anos perde a mãe após um aborto e passa a viver separada dos irmãos. Enquanto eles vão para um abrigo, Neusa é levada para a capital, onde passa pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) e pelo Instituto Feminino de Viamão.

Veja Na adolescência, enfrenta novas situações de violência. Aos 14 anos, após conhecer uma tia em Porto Alegre, relata ter sido vendida para um homem, sofrer abuso sexual e engravidar. As agressões continuam por anos.

Aos 18 anos decide sair de casa com uma mochila nas costas. Vive períodos em situação de rua e enfrenta novas violações. Mais tarde retorna para Lajeado, onde volta a sofrer violência em um relacionamento que dura mais de duas décadas.

Veja relato!

Durante esse período conhece a rede de proteção do município. Segundo ela, o atendimento começa em 1994, quando busca ajuda e passa a ser acompanhada por profissionais da assistência social.

“Quando chegamos na Casa de Passagem ninguém gosta de apanhar. A gente chega machucada, com medo, sem saber o que fazer”, relata. Neusa é acolhida com quatro filhos e inicia um processo de reconstrução pessoal. Ela conta que o contato com profissionais da rede e com outras mulheres em situação semelhante muda sua perspectiva de vida.

“A rede me incentiva a estudar. Começo a ouvir outras pessoas e perceber que posso mudar minha história.” Foi conselheira tutelar, hoje é agente de saúde, técnica em enfermagem, está concluindo o curso de Serviço Social.

Mãe de oito filhos, ela afirma que a experiência de vida reforça a importância de discutir a violência doméstica de forma ampla. “Todos os meus filhos nasceram em situações de violência. Nenhum veio de uma relação de amor. Mesmo assim, hoje sou uma mulher determinada.” Segundo ela, além da proteção às vítimas, é necessário olhar também para a formação dos homens.

Observa que muitos jovens envolvidos em episódios de violência cresceram sem referências familiares. “Muitos meninos dizem que nunca tiveram pai ou orientação. Precisamos falar também com os homens para mudar essa realidade.”

O depoimento emociona o público presente e abre a programação do Fórum Pensar Mulher, que reúne especialistas, autoridades e representantes da rede de proteção para discutir estratégias de enfrentamento à violência contra a mulher. A matéria é do grupo A Hora,

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