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Não é crise, é falência: ONU alerta para colapso global da água e convoca mudança urgente

Esgotamento de aquíferos, poluição e mudanças climáticas colocam em risco um bem essencial à vida, exigindo ação imediata dos governos e consciência da população.

A Organização das Nações Unidas (ONU) acendeu um alerta que vai além das palavras costumeiramente usadas para definir a situação da água no planeta. Não se trata mais de “estresse hídrico” ou de uma simples “crise”. O termo agora é mais duro e direto: falência hídrica. A constatação faz parte de um novo relatório que expõe um cenário global preocupante, marcado pelo esgotamento crônico das águas subterrâneas, pela poluição e pela degradação do solo.

De acordo com o autor principal do estudo, Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas (UNU-INWEH), muitas regiões do mundo já estão vivendo além de sua capacidade hídrica. “Muitos sistemas essenciais de água já estão falidos”, afirma. O relatório, lançado para subsidiar a Conferência da ONU sobre Água, aponta que o planeta entrou em um estágio pós-crise, no qual os danos acumulados reduzem drasticamente a capacidade natural de recuperação dos sistemas hídricos.

A gravidade do quadro é reforçada por dados alarmantes: cerca de 70% dos principais aquíferos do mundo estão em declínio. As mudanças climáticas intensificam ainda mais esse processo, criando um efeito dominó que ultrapassa fronteiras. Água, comércio, migração, clima e geopolítica estão interligados, o que transforma a escassez hídrica em um risco global sem precedentes.

Diante desse cenário, especialistas defendem que não basta apenas buscar novas fontes de água. É urgente repensar o modelo de consumo e investir em alternativas sustentáveis, como a reciclagem e o reuso da água, tanto em escala industrial quanto urbana. Tecnologias já existentes permitem tratar e reaproveitar a água para diversos fins, reduzindo a pressão sobre rios, reservatórios e aquíferos — mas essas soluções precisam sair do papel e se transformar em políticas públicas efetivas.

Nesse contexto, a população tem um papel fundamental. Cobrar dos governantes investimentos em saneamento, tratamento de esgoto, reuso da água e educação ambiental é um passo essencial para evitar que a falência hídrica se torne irreversível. A água é um bem comum, indispensável à vida, à saúde, à economia e ao futuro das próximas gerações.

O alerta se torna ainda mais relevante para o Brasil, que vive atualmente o verão, período marcado por altas temperaturas e aumento significativo do consumo de água. Mais do que nunca, é necessário adotar uma postura consciente: evitar desperdícios, repensar hábitos diários e compreender que cada gota economizada faz diferença.

A mensagem da ONU é clara e urgente: ou mudamos agora a forma como cuidamos da água, ou enfrentaremos consequências profundas e duradouras. A responsabilidade é coletiva — dos governos, das instituições e de cada cidadão. Afinal, sem água, não há vida, nem futuro possível.