Comportamento

Neurociência comprova: gratidão fortalece o cérebro e melhora a saúde mental

Prática diária ativa áreas cerebrais ligadas ao bem-estar, reduz o estresse e contribui para a prevenção de transtornos emocionais.



Mais do que um simples gesto de educação ou agradecimento, a gratidão tem se consolidado como um importante recurso para a saúde mental. Estudos da neurociência e da psicologia positiva demonstram que sentir e praticar gratidão ativa circuitos cerebrais responsáveis pelo prazer, pela motivação e pela regulação emocional, promovendo impactos positivos duradouros no organismo.
Pesquisas conduzidas por universidades como Harvard e Berkeley apontam que pessoas que cultivam a gratidão de forma consciente apresentam níveis mais baixos de cortisol — o hormônio do estresse — e maior liberação de dopamina e serotonina, neurotransmissores associados à sensação de bem-estar, satisfação e felicidade. Esses efeitos contribuem diretamente para a redução da ansiedade, dos sintomas depressivos e do esgotamento emocional.
Segundo a psicóloga Aparecida Tavares, do centro clínico Órion Complex, em Goiânia, a gratidão não atua apenas no campo emocional, mas provoca mudanças reais na atividade cerebral. “Quando a pessoa pratica a gratidão, ela ativa circuitos neurais que favorecem o equilíbrio emocional, melhoram a percepção da realidade e reduzem respostas automáticas ao estresse”, explica.
Do ponto de vista neurológico, diferentes áreas do cérebro são diretamente estimuladas. O córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisões, planejamento e controle das emoções, torna-se mais ativo, favorecendo escolhas mais conscientes e respostas emocionais mais equilibradas. Já o estriado ventral, ligado ao sistema de recompensa, é estimulado, aumentando a sensação de prazer e motivação. A amígdala, estrutura associada às emoções e à memória emocional, passa a responder de forma menos intensa a estímulos negativos, reduzindo reações de medo e ansiedade.
Dados publicados no Journal of Personality and Social Psychology indicam que pessoas que mantêm práticas simples de gratidão — como escrever diariamente três motivos para agradecer — apresentam melhora significativa na qualidade do sono, maior resiliência emocional e até fortalecimento do sistema imunológico. Há também evidências de impacto positivo na saúde cardiovascular, com redução da pressão arterial e melhora da variabilidade da frequência cardíaca.
“Gratidão não é negar dificuldades, mas treinar o cérebro para reconhecer aspectos positivos mesmo em contextos desafiadores. Ao ativar esses circuitos neuronais, fortalecemos conexões que diminuem o estresse e ampliam a sensação de prazer e satisfação com a vida”, reforça Aparecida Tavares.
Especialistas destacam que a gratidão pode ser desenvolvida como um hábito, por meio de práticas simples no dia a dia, como reconhecer pequenas conquistas, valorizar relações pessoais e expressar agradecimento verbalmente. Com isso, o cérebro passa a funcionar de maneira mais saudável, tornando-se menos reativo ao estresse e mais preparado para lidar com os desafios cotidianos.
Em um cenário de aumento dos transtornos de ansiedade e depressão no mundo, a ciência reforça: cultivar a gratidão não é apenas uma atitude emocional, mas uma estratégia eficaz de cuidado com a saúde mental e o bem-estar a longo prazo.